terça-feira, 5 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Maio

MORTE DE NAPOLEÃO

    Em 1821, morre no exílio na ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, uma possessão britânica, o imperador francês Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos.

Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da ilha da Córsega, que dois anos antes se torna parte da França. Com a derrocada da aristocracia na Revolução Francesa de 1789, Napoleão ascende rapidamente na hierarquia do Exército, onde antes para ser general precisava ter quatro gerações de nobreza.

General aos 24 anos, depois da campanha do Egito, em 1798, Napoleão é nomeado cônsul em 1799 e acaba com a Revolução Francesa, enquanto seu exército cidadão luta contra as monarquias europeias. Em 1804, Napoleão se coroa imperador.

Ele não consegue invadir a Inglaterra por causa das derrotas para o almirante Horácio Nelson em Abukir (1799) e Trafalgar (1805). Mas controla maioria do continente, inclusive a Península Ibérica, o que provoca a fuga da família real portuguesa para o Brasil e a independência da América Latina.

Seu maior erro é a invasão da Rússia, em 24 de junho de 1812 com o Grande Exército, de 600 mil homens. Depois de uma vitória com enormes perdas na Batalha de Borodino, o Exército russo recua e incendeia Moscou, deixando os franceses sem abrigo e sem comida no início do outono no Hemisfério Norte. A fuga termina em 14 de dezembro. Napoleão nunca se recupera da Campanha da Rússia.

Em 1813, a Sexta Coligação contra Napoleão (Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido, Suécia e alguns estados alemães) o derrota na Batalha de Leipzig. No ano seguinte, seus inimigos invadem Paris. Em 11 de abril de 1814, Napoleão abdica e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

O general foge de Elba em fevereiro de 1815 e retoma o poder em 20 de março, mas o segundo reinado dura apenas 110 dias. Um exército da Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), sob o comando do Duque de Wellington, vence Napoleão na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815. Ele abdica em 22 de junho e vai preso para a Ilha de Santa Helena, onde morre seis anos depois.

BATALHA DE PUEBLA

    Em 1862, mesmo em desvantagem numérica, o Exército do México derrota uma poderosa força invasora da França na cidade de Puebla, uma grande vitória moral que mostra aos mexicanos que eles têm capacidade de defender sua soberania contra uma potência estrangeira, 14 anos depois de perder cerca de 40% de seu território para os Estados Unidos na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Quando Benito Juárez, o primeiro indígena a governar um país da América Latina, vira presidente, em 1861, o México está falido. Não paga dívidas. A Espanha, a França e o Reino Unido mandam forças navais para Veracruz para cobrar.

A Espanha e o Reino Unido negociam, mas a França, governada pelo imperador Napoleão III, vê uma oportunidade de ampliar seu império, facilitada pelo início, em 12 de abril de 1861, da Guerra da Secessão (1861-65) nos EUA, cuja Doutrina Monroe se opunha a intervenções europeias no continente.

Em 8 de dezembro de 1861, a expedição tripartite chega a Veracruz. A França rompe a aliança em abril e decide recolonizar o México. Certo da vitória rápida, o Exército francês marcha com 6 mil homens rumo a Puebla de Los Angeles, a caminho da Cidade do México.

Sob o comando do general Ignacio Zaragoza, uma força de 2 a 5 mil mexicanos resiste até o general francês Charles de Lorencez retirar suas tropas derrotadas.

Os franceses dominam o país, mas os mexicanos travam uma guerra de guerrilhas, com o apoio dos EUA depois do fim da guerra civil norte-americana.

Napoleão III nomeia o arquiduque austríaco Maximiliano de Habsburgo imperador do México. Ele governa o país de 10 de abril de 1864 até ser capturado pelas forças de Juárez e fuzilado, em 19 de junho de 1867. Dois dias depois, a França se rende e o México restaura a república.

CHANEL Nº 5

    Em 1921, a butique de Coco Chanel na Rua Cambon, em Paris, lança o perfume Chanel Nº 5, que revoluciona a indústria da perfumaria e mantém o sucesso há mais de um século.

Quando perguntaram a Marylin Monroe o que ela usava para dormir, a superestrela de Hollywood, uma das mulheres mais lindas e sensuais da história do cinema, respondeu: "Chanel nº 5."

ALEMANHA OCIDENTAL SE ARMA

    Em 1955, a República Federal da Alemanha ou Alemanha Ocidental recupera parcialmente a soberania da Alemanha e o direito de ter um exército, mas o fim total da ocupação pelos aliados ocidentais – Estados Unidos, França e Reino Unido – no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) só vem com a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990, quando as forças da União Soviética saem da Alemanha Oriental.


A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é criada em 1949 em reação ao Bloqueio de Berlim pelo ditador soviético Josef Stalin no ano anterior. A França aceita o armamento e a entrada da Alemanha Ocidental na OTAN desde que não haja um exército alemão independente.

A Alemanha Ocidental se arma e se associa à aliança militar ocidental que se opõe na Guerra Fria à União Soviética, que domina a Alemanha Oriental até a abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, o que abre caminho para a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990..

CEM ANOS DE SOLIDÃO

    Em 1967, a Editorial Sudamericana lança em Buenos Aires a primeira edição, com tiragem de 8 mil exemplares, do romance Cem Anos de Solidão, do escritor colombiano Gabriel García Marquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1982.


O livro é considerado pelo jornal francês Le Monde um dos 100 melhores do século 20. Obra-prima do chamado realismo fantástico latino-americano, vende mais de 30 milhões de cópias em 35 idiomas.

Cem Anos de Solidão conta a história de sete gerações da família Buendía, personagens de ficção fundadores de Macondo, uma cidade imaginária praticamente isolada do mundo, mas atingida por novas tecnologias, a conturbada política colombiana como a Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e a penetração de uma empresa estrangeira, a American Fruit Company, criada à imagem e semelhança da United Fruit, responsável por golpes e ditaduras na América Latina.

BOBBY SANDS MORRE

    Em 1981, depois de 66 dias de greve de fome para ser reconhecido como preso político e não como criminoso comum, o miliciano do Exército Repúblico Irlandês (IRA) Provisório Bobby Sands morre na prisão de Maze, deflagrando uma onda de protestos violentos e choques de jovens católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses contra a polícia, grupos paramilitares e o Exército Real britânico na Irlanda do Norte.

Sands nasce em 1954 numa família católica que mora num bairro de maioria protestante de Belfast, a capital da Irlanda do Norte. Em 1972, no auge da guerra civil norte-irlandesa, a família se muda para um conjunto habitacional popular num bairro católico, onde ele é recrutado pelo IRA Provisório.

O IRA nasce em 1919 para lutar pela independência da Irlanda, conquistada em 1921, mas seis condados de maioria protestante da província do Úlster formam a Irlanda do Norte e permanecem no Reino Unido, o que os nacionalistas irlandeses nunca aceitam.

Como os católicos são discriminados, surge nos ano 1960 um movimento para acabar com o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte e reunificar a Irlanda. Em resposta à intervenção militar do Exército Real a partir de agosto de 1969, o IRA renasce como IRA Provisório. É o principal grupo armado dos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses na guerra civil na Irlanda do Norte. 

Em 1972, Bobby Sands é preso e condenado por participar de vários roubos atribuídos ao IRA. Vai para uma prisão que parece um campo para criminosos de guerra, onde tem liberdade de movimento e de se vestir como quiser. Ele fica quatro anos preso.

Menos de um ano depois de ser solto, Sands é preso em 1977 por estar armado perto do local de um atentado a bomba do IRA. Como desde 1976 o governo britânico criminaliza as ações violentas dos terroristas irlandeses, Sands vai para a prisão de segurança máxima de Maze, ao sul de Belfast.

Na cadeia, Sands se une a outros milicianos do IRA Provisório para exigir os direitos que tinham até 1976 como presos políticos. Em 1980, uma greve de fome dura 53 dias. É suspensa quando um dos prisioneiros entra em coma.

O governo conservador de Margaret Thatcher (1979-90) é intransigente. Faz pequenas concessões. Em 1º de março de 1981, no quinto aniversário da política de criminalização, Bobby Sands inicia nova greve de fome.

Em 9 de abril, Sands é eleito para uma cadeira vaga na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Os deputados do Sinn Féin nunca tomam posse porque se negam a jurar lealdade à coroa britânica. Mais tarde, o Parlamento aprova lei para proibir condenado cumprindo pena de ser deputado.

O papa João Paulo II faz um último apelo para que Sands volte a se alimentar. Ele se nega. Entra em coma em 3 de maio e morre na madrugada de 5 de maio.

Além de Sands, mais nove prisioneiros morrem até a greve ser encerrada, em 3 de outubro de 1981, sob pressão de parentes dos presos e da Igreja Católica.

Com o fim da greve de fome, o governo Thatcher restitui o direito de usar trajes civis, permite que os presos recebam visitas e cartas, tenham mais espaço para se movimentar e não sejam submetidos a punições severas por se negar a trabalhar na prisão. Mas não o status de prisioneiros políticos. Continuam sendo criminosos comuns.

Mais de 3,5 mil pessoas são mortas nos 30 anos da Guerra Civil da Irlanda do Norte (1968-98). O IRA se desmobiliza em 2005, com base no Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa (1998).

Nas últimas eleições, o Sinn Féin é o partido mais votado. Pela primeira vez, o SF lidera o governo de união nacional da Irlanda do Norte. A primeira-ministra é Michelle O'Neill.

HOMEM-ARANHA

    Em 2002, O Homem-Aranha torna-se o primeiro filme a faturar mais de US$ 100 milhões no fim de semana de estreia.

O filme leva para o cinema pela segunda o personagem da história em quadrinhos criado por Stan Lee para a Marvel Comics em 1962. Sob a direção de Sam Raimi, tem Tobby McGuire e Willem Dafoe nos papéis principais.

Peter Parker visita um laboratório de genética onde há uma exposição de aranhas. Picado por uma aranha geneticamente modificada, ele ganha poderes especiais, uma força descomunal e a capacidade de produzir teias. 

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

 CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho se inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm militarmente e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que traz grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

Desde que tomou posse para um segundo mandato, o presidente Donald Trump fala em retomar o controle do canal pelos EUA.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. A China perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma luta anti-imperialista.

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

Com as reformas de Deng Xiaoping, a China passa pelo maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Hoje é a segunda maior economia do mundo e disputa a liderança global com os Estados Unidos.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que fica paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra. O cantor e compositor Neil Young compõe a música Ohio.

As manifestações contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023 são as maiores em universidades dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Servem de pretexto para a ofensiva do governo Donald Trump às universidades sob a alegação de combater o antissemitismo.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação lixeiros e coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina na Europa e na América. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música popular, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento e o desemprego desmoralizam o governo trabalhista e abrem o caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém e vereador que se tornaria prefeito. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro da imprensa da União Soviética depois de um discurso como líder da oposição.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9 e da grande concentração da riqueza nas últimas décadas, em que surgem cada vez mais bilionários enquanto a renda das classes médias está estagnada.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judeu, em 29 de novembro de 1947, os países árabes não aceitam. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, os países árabes invadem o novo país, dando início a uma guerra sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando há uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait.

As negociações não avançam. A cada reunião, os dois lados dão declarações acusatórias. Os palestinos não fazem nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat. Então, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decide fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração de princípios e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso judeu, em 4 de novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu ao poder no ano seguinte causam uma estagnação no processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. Seu sucessor, Ehud Olmert, cai num escândalo de corrupção.

O Likud volta ao poder em 2009 com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada pela formação do governo mais extremista da história de Israel em dezembro de 2022 e especialmente pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em 7 de outubro de 2023.

A guerra sem fim passou de um conflito de baixa intensidade para uma guerra para valer, com o uso de todas as armas, menos as bombas atômicas, que Israel também tem. No momento, há uma trégua, a segunda parte do plano de paz, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada de Israel, não avança.

Com esta guerra total, Netanyahu cria um ambiente insuportável para que os palestinos aceitem a ideia ventilada pelo presidente Donald Trump de uma emigração voluntária para esvaziar o território numa limpeza étnica que acabaria com qualquer chance de fundação de um Estado palestino no território histórico da Palestina, como previa a resolução da ONU que cria Israel, em 29 de novembro de 1947.

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domingo, 3 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Maio

COLOMBO CHEGA À JAMAICA

    Em 1494, na sua segunda viagem à América, o navegador genovês Cristóvão Colombo chega à Jamaica, que batiza como Santiago.


Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 na costa do Brasil e descreve o continente como Novo Mundo.

A segunda viagem de Colombo tem o objetivo de iniciar a colonização. Ele descobre a Jamaica e funda uma colônia em Hispaniola.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data do "descobrimento" da América pelos europeus é comemorada hoje como Dia dos Povos Indígenas. Cerca de metade morreu até 1580, num choque de civilizações, genocídio e doenças para as quais os nativos não têm defesas.

Um novo estudo genético realizado por cientistas espanhóis conclui que Colombo era espanhol e judeu. 

TRIBUNAL DE TÓQUIO

    Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, mais conhecido como o Tribunal de Tóquio, começa a julgar 28 oficiais e altos funcionários do Japão acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a partir da invasão da Manchúria em 1931. Segue o modelo do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, que julga os líderes nazistas.

Depois da derrota do Japão e da ocupação do arquipélago pelos Estados Unidos, o comandante supremo das Forças Aliadas, general Douglas MacArthur, cria o tribunal para julgar os crimes da Guerra do Pacífico.

Uma carta define a composição, a jurisdição e o procedimento do tribunal com base na corte de Nurembergue. Os juízes, procuradores e funcionários do Tribunal de Tóquio vêm dos 11 países que lutaram contra o Japão na guerra: Austrália, Canadá, China, EUA, Filipinas, França, Índia, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido e União Soviética.

Os réus são 28 líderes políticos e militares japoneses, inclusive ex-primeiros-ministros, ministros do Exterior e altos comandantes militares. Eles são alvo de 55 acusações de guerra de agressão, assassinato, vários crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como a tortura e os trabalhos forçados de prisioneiros, detenção e internação de civis nos territórios ocupados.

Dois réus morrem durante o julgamento. A sentença sai em 12 de novembro de 1948. Shimei Okawa, é considerado incapaz de responder ao processo. Todos os demais réus são condenados. Sete pegam a pena de morte e 16 a prisão perpétua. Milhares de criminosos de patentes inferiores e colaboradores são julgados por tribunais locais na Ásia e no Pacífico até 1949.

PRIMEIRO SPAM

    Em 1978, usuários da ARPANET recebem um anúncio que é considerado o primeiro e-mail indesejado (spam).

A estimativa hoje é que 160 bilhões de e-mails de spam sejam enviados todo dia, 46% do total de 347 bilhões de e-mails enviados em média a cada dia.

ASCENSÃO DE THATCHER

    Em 1979, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido. No dia seguinte, sua líder, Margaret Thatcher, se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

Margaret Hilda Roberts nasce em 13 de outubro de 1925 em Grantham, na Inglaterra, filha de um dono de armazém e vereador que seria prefeito da cidade. É a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo desde 1827. Ela chega ao poder depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma onda de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de mineiros de  11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome por exigir reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política agrícola comum de subsídios do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirma.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decide sair da UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, que exigiria mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recupera até hoje e que leva ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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sábado, 2 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

COMPRA DA LOUISIANA

    Em 1803, os Estados Unidos compram da França o território da Louisiana, de 2,144 milhões de quilômetros quadrados, que inclui a bacia dos rios Missouri e Mississípi, por US$ 27,267 milhões. O vale é explorado por navegantes franceses.

Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos EUA, instrui o embaixador na França a procurar o ministro Charles-Maurice de Talleyrand, do governo Napoleão Bonaparte e negociar a compra da Louisiana.

O fracasso na colonização de São Domingos, a ilha de Hispaniola, a iminência de uma nova guerra com o Reino Unido e problemas financeiros levaram Napoleão a oferecer a Louisiana aos EUA. O embaixador que fecha o acordo é o futuro presidente James Monroe.

JOVEM PRIMEIRO-MINISTRO 

    Em 1997, depois de 18 anos de governos conservadores, Tony Blair leva o Partido Trabalhista de volta ao poder no Reino Unido, se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico desde 1812 e fica 10 anos no cargo, o maior período contínuo desde 1827 depois de Margaret Thatcher (1979-90).

Anthony Charles Lynton Blair nasce em Edimburgo, na Escócia, em 6 de maio de 1953. Filho de advogado, estuda num colégio de elite da cidade. Tem pouco interesse em política até conhecer sua futura mulher, Cherie Booth. É roqueiro na juventude, se forma em direito na Universidade de Oxford em 1975, quando entra para o Partido Trabalhista. No ano seguinte, torna-se advogado especialista em direito sindical.

Depois de chegar em terceiro lugar numa eleição em 1982, Blair se elege para o Parlamento Britânico nas eleições gerais de 1983 com a vitória num distrito historicamente trabalhista. Ele é nomeado pelo líder do partido, Neil Kinnock, para o governo paralelo da oposição em 1988. Um novo líder, John Smith, o indica em 1992 para ministro do Interior do governo paralelo, o que significa ser porta-voz da oposição para as questões desse ministério.

Com a morte de John Smith, Blair vence a eleição para líder do partido em maio de 1994. durante o governo conservador de John Major (1990-97), que sucede a Margaret Thatcher (1979-90).

Como líder do partido, Blair lança o neotrabalhismo, que incorpora vários mecanismos de mercado e abole a Cláusula 4 do estatuto do partido, que prevê "a propriedade coletiva dos meios de produção, distribuição e comercialização para adequar o trabalhismo a uma nova realidade do mundo pós-Guerra Fria.

Blair se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico do século 20 com a maior vitória do Partido Trabalhista. Antes, reduz a ligação com os sindicatos, defende a livre empresa, o combate à inflação, a linha dura no combate ao crime e a integração do Reino Unido à União Europeia.

No governo, Blair cria um salário mínimo nacional, aumenta os gastos com saúde e educação, começa a cobrar anuidade nas universidades, decentraliza a administração pública com a recriação do Parlamento da Escócia e de assembleias no País da Gales e na Irlanda do Norte depois do Acordo da Sexta-Feira Santa, que acabou com 30 anos de guerra civil.

Em política externa, sob Blair, o Reino Unido participou de intervenções militares no Kossovo em 1999 e em Serra Leoa no ano 2000. A aliança incondicional aos Estados Unidos na Guerra contra o Terror declarada pelo presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, três meses depois do início de seu segundo mandato, e especialmente a participação na invasão do Iraque são a ruína de Tony Blair.

O governo chegou a afirmar diante da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que o Iraque tinha condições de preparar um ataque com armas químicas ou biológicas

Em 27 de junho de 2007, ele renuncia à liderança do partido e à chefia do governo. Passa do poder para o ministro das Finanças, Gordon Brown, que há muito tempo esperava esta oportunidadeiTodos os governos que participam da invasão do Iraque são derrotados nas urnas.

GPS PARA TODOS

    No ano 2000, o presidente Bill Clinton anuncia que o sistema de posicionamento global (GPS) será aberto ao público em geral. Os sinais de satélite do sistema Navstar (foto), desenvolvido inicialmente para uso militar, têm uma queda de qualidade para uso civil.

O GPS é um sistema de rádio-navegação situado no espaço que dá a localização com grande precisão. O Navstar GPS, dos EUA, tem 24 satélites em seis órbitas diferentes que dão a volta na Terra a cada 12 horas.

Em resposta, a Rússia cria o Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass) . A União Europeia (UE) aprova em 2007 o lançamento de 30 satélites para criar seu próprio sistema, Galileo, que entra em operação em 2016. A China lançou 14 satélites de segunda geração em 2007 e uma constelação de 30 satélites de comunicações de terceira geração cobrindo o mundo inteiro desde 2020.

Um equipamento baseado na Terra recebe sinais de rádio de quatro ou mais satélites, calcula a distância até cada satélite e determina com base nisso a latitude, a longitude e a altitude da pessoa ou objetivo a ser localizado.

O uso civil gera uma revolução comercial e pessoal. O GPS está nos drones, mísseis e projéteis da guerra moderna, na Estação Espacial Internacional, nos aviões de guerra, comerciais e privados, nas ambulâncias, nos carros particulares, nos ônibus, nos trens, nos tratores, nas máquinas agrícolas, nos telefones celulares e nos relógios de pulso.

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), a maioria doutrinados nas madraças, as escolas religiosas paquistanesas onde só se ensina o Corão. Eles tomam o poder em Cabul em 1996 e abrigam acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio norte-americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Maio

DIA DO TRABALHO 

    Em 1886, os trabalhadores iniciam uma greve geral em Chicago, nos Estados Unidos, exigindo uma redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas por dia. Em 4 de maio, quando a polícia parte para dispersar a manifestação, alguém joga uma bomba. A polícia atira nos grevistas. Quatro civis e sete policiais morrem, e pelo menos 60 policiais e 115 civis saem feridos. O Massacre no Haymarket é a origem do Dia Internacional do Trabalho ou do Trabalhador.

Centenas de líderes sindicais e ativistas de esquerda são presos. Oito líderes grevistas são processados e sete condenados à forca num julgamento visto como parcial. Dois têm a pena de morte comutada, um se suicida na prisão e quatro são enforcados.

No primeiro congresso da Segunda Internacional, realizado em Paris em 1889, o sindicalista francês Raymond Lavigne convoca uma série de manifestações em 1º de maio 1890 para homenagear os grevistas de 1886 em Chicago. Há protestos nos EUA, na Europa, no Chile e no Peru.

O segundo congresso da Segunda Internacional decide tornar o 1º de Maio um evento anual. Em 1904, a Segunda Internacional, reunida em Amsterdã, na Holanda, convoca "todos os partidos social-democratas e todos os sindicatos de todos os países se manifestar energicamente em 1º de Maio pelo estabelecimento legal da jornada de oito horas de trabalho por dia, pelas demandas de classe do proletariado e a paz universal."

A data se transforma num dia de grandes manifestações que se tornaram oficiais em vários países, especialmente nos regimes comunistas. Os EUA, o Canadá e o Reino Unido festejam o Dia do Trabalho na primeira sexta-feira de setembro. 

BATALHA DA BAÍA DE MANILA

    Em 1898, a Marinha dos Estados Unidos derrota a Frota do Oceano Pacífico da Espanha na Batalha da Baía de Manila ou Batalha de Cavite. O resultado é a queda das Filipinas e a vitória dos EUA na Guerra Hispano-Americana, que também leva à independência de Cuba e ao domínio de Porto Rico por Washington. Esta guerra é um marco do fim do imperialismo espanhol e do início do imperialismo norte-americano.

A origem da guerra é o movimento pela independência de Cuba iniciado em 1895. A guerra começa depois da explosão e naufrágio do encouraçado norte-americano USS Maine, um navio de US$ 6 mil toneladas e US$ 2 milhões no porto de Havana em 15 de fevereiro. 

Pode ser um acidente ou um ato de sabotagem da Espanha, de dissidentes espanhóis ou dos rebeldes que lutam pela independência de Cuba. O secretário adjunto da Marinha, Theodore Roosevelt, futuro presidente dos EUA, acusa a Espanha.

Quando o secretário da Marinha, John Long, deixa o governo, em 25 de fevereiro, Roosevelt assume interinamente. Em 25 de março, um relatório enviado ao presidente William McKinley afirma que uma mina afundou o USS Maine.

O inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst e de James Pulitzer, que há anos fazem campanha contra os últimos resquícios do colonialismo espanhol na América, convence a opinião pública e parte do Congresso.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas, em 19 de abril, o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força. McKinley ordena um bloqueio naval a Cuba. Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA.

Como o Reino Unido é neutro, em 24 de abril, a Esquadra Asiática dos EUA tem de deixar o porto de Hong Kong, parte do Império Britânico desde a Primeira Guerra do Ópio (1839-42). Sai sob aplausos da Marinha Real, com bandas militares embarcadas nos navios britânicos tocando o hino dos EUA.

Seu comandante, comodoro George Dewey, um veterano da Guerra da Secessão (1861-65), estaciona a frota a 50 quilômetros de distância ao largo da costa da China a noroeste de Hong Kong e aguarda instruções. Em 25 de abril, recebe ordens para capturar ou destruir a Frota do Oceano Pacífico da Espanha, baseada nas Filipinas, então uma colônia espanhola.

Dewey tem quatro cruzadores, duas canhoneiras, um navio da guarda costeira alfandegária e dois navios a vapor comprados dos britânicos para carregar suprimentos. Reúne suas forças na Baía de Mirs, perto de Dapeng Novo, e zarpa em 27 de abril. Três dias depois, chega a Luzón, nas Filipinas.

Ao cair da tarde de 30 de abril, Dewey passa por Boca Grande, um canal de acesso à Baía de Manila menos usado do que a Boca Chica. Em 1º de maio, os EUA entram na Baía de Manila. Às 5h40, estão a 5 quilômetros da frota espanhola, comandada pelo almirante Patricio Montojo. Dewey diz ao capitão Chalres Gridley, do cruzador USS Olympia, que vai na frente: "Pode atirar quando estiver pronto Gridley." 

Os norte-americanos passam várias vezes no sentido leste-oeste bombardeando a frota espanhola e chegam a menos de 2 quilômetros de distância. Os espanhóis tentam sair para o combate em mar aberto, mas são repelidos pela artilharia dos EUA.

Às 7h35, Dewey recua, serve o café da manhã a seus marinheiros e reúne os comandantes para traçar o plano final. Dois navios espanhóis, Castilla e Reina Cristina, pegam fogo antes que os EUA reentrem em combate às 11h16 da manhã. Resta subjugar as baterias terrestres de Cavite e destruir o resto da frota espanhola, reduzida a pequenos navios, de que se encarregou o cruzador USS Petrel.

Os EUA têm total superioridade em homens e armas. Sofrem 11 baixas. Derrotado, Montojo preserva dois cruzadores. A Batalha da Baía de Manila é uma das mais importantes da história naval dos EUA.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 1931, Nova York inaugura o Empire State Building, que durante quatro décadas é o edifício mais alto do mundo.

O arranha-céu de 102 andares é o edifício mais alto do mundo de 1931 a 1971. Fica em Midtown, na ilha de Manhattan, na esquina da 5ª Avenida com a Rua 34. É um dos prédios mais famosos dos EUA e um dos melhores exemplos da arquitetura moderna Art Deco.

É o edifício mais alto do mundo até 1970, quando é superado pela Torre Norte do World Trade Center, atacada e destruída nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

CIDADÃO KANE

    Em 1941, pré-estreia em Nova York Cidadão Kane, de Orson Welles, considerado por muitos críticos o melhor filme da história do cinema.

O filme produzido e dirigido por Welles aos 25 anos usa técnicas revolucionárias de câmera e iluminação, com uma edição dramática de Robert Wise. Histórica, cultural e esteticamente importante, é um dos primeiros a entrar para o acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA.

O personagem principal é Charles Foster Kane, um magnata parecido com William Randolph Hearst, que tenta várias vezes proibir o filme. 

URSS ABATE U-2

    Em 1960, a União Soviética derruba um avião-espião norte-americano U-2 perto de Sverdlovsk, hoje Ecaterimburgo, e prende o piloto Francis Gary Powers. O Incidente do U-2 é um dos fatos marcantes da Guerra Fria.

Francis Gary Powers nasce em 17 de agosto de 1929 em Jenkins, no Kentucky. Entra para a Força Aérea. É alvejado quando pilota o mesmo avião que descobriria os mísseis soviéticos em Cuba em 14 de outubro de 1962. Ele sai de Peshawar, no Paquistão, e o U-2 é abatido em Sverdlovsk.

O ditador soviético Nikita Kruschev está no palanque na Praça Vermelha assistindo ao desfile do Dia Trabalho quando o ministro da Defesa dá a notícia ao pé do ouvido e Kruschev sorri. Em 5 de maio, ele comunica oficialmente ao povo soviético o "grave incidente". 

Condenado a 10 anos de prisão por espionagem, Powers sai em 1962 numa troca de prisioneiros, no caso, pelo espião britânico Rudolf Abel, condenado em 1957 nos EUA para passar informações à URSS.

Livre, Powers volta para os EUA, onde escreve sua própria versão do voo abatido no livro Operation Overflight (Operação Sobrevoo). Ele morre em acidente de helicóptero em 1º de agosto de 1977, enquanto faz uma reportagem para um canal de televisão de Los Angeles.

SEQUESTRO AÉREO

    Em 1961, acontece o primeiro grande sequestro aéreo nos Estados Unidos, quando o voo 337, da companhia aérea National Airlines, que iria de Key West, no extremo sul da Flórida, para Miami, é desviado para Cuba.

Antulio Ramírez Ortiz, um cidadão norte-americano de 35 anos nascido em Porto Rico, se tranca num banheiro de um Convair 440 e passa uma nota à tripulação por baixo da porta. Ameaça explodir uma bomba se o voo não for desviado para Havana.

A tripulação cede. Ramírez Ortiz desembarca na capital cubana e imediatamente recebe asilo político, mas é processado quando tenta sair de Cuba em 1962, sob a alegação de que a Crise dos Mísseis Soviéticos acabara com sua simpatia pela ditadura de Fidel Castro. Condenado duas vezes, fica 6 anos na prisão em Cuba antes de voltar para os EUA, onde também é julgado.

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