Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o senador Alfredo Jaeggli, do Partido Liberal, afirma que Lugo deve ser afastado em seis meses através de um processo de impeachment, ants que consiga fortalecer sua posição com o apoio dos movimentos sociais.
O senador acusa Lugo de trair o Partido Liberal, que deu o vice da chapa, que assim assumiria a presidência.
sábado, 14 de novembro de 2009
Comissão Eleitoral complica reeleição de Uribe
Membros da Comissão Nacional Eleitoral da Colômbia consideraram ilegal a campanha para convocar um plebiscito sobre uma segunda reeleição para Uribe, alegando que superou o limite de gastos.
A palavra final será dada em janeiro pelo Supremo Tribunal.
A palavra final será dada em janeiro pelo Supremo Tribunal.
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Juíza argentina autoriza casamento homossexual
Numa medida sem precedentes na Argentina, onde o precisa ser católico, a juíza Gabriela Seijas autorizou um casamento de homossexuais.
A decisão ajuda a pressionar o Congresso, onde há um projeto de lei sobre o casamento gay empacado.
A decisão ajuda a pressionar o Congresso, onde há um projeto de lei sobre o casamento gay empacado.
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Espionagem abala relação entre Peru e Chile
O presidente do Peru, Alan García, suspendeu um encontro que teria com colega chilensa, Michelle Bachelet, durante a reunião do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) e voltou para Lima, diante de denúncia de que um suboficial da Força Aérea Peruana que servia na embaixada em Santiago fez espionagem para o Chile, num ato considerado “pouco amistoso e ofensivo”.
Os dois países são inimigos históricos desde a Guerra do Pacífico (1879-83), quando a Bolívia perdeu a saída para o mar.
Os dois países são inimigos históricos desde a Guerra do Pacífico (1879-83), quando a Bolívia perdeu a saída para o mar.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Obama defende "metas claras" de emissões
No Japão, a primeira escala de sua primeira visita oficial à Ásia como presidente dos Estados Unidos, Barack Obama discursa neste momento em Tóquio. Acaba de defender o comprometimento dos países ricos na Conferência de Copenhague sobre Mudança do Clima, em dezembro, com "metas claras" de redução das emissões dos gases que agravam o efeito estufa, causado o aquecimento da Terra.
Obama voltou a pregar a abolição total das armas nucleares, dirigindo-se especificamente à Coreia do Norte e ao Irã, que estão sendo acusados pela sociedade internacional de desenvolver armas atômicas. Ressalvou que, enquanto isto não acontecer, os EUA vão manter um poderoso mecanismo de dissuasão.
Apesar de pregar a extinção das armas nucleares, Obama rejeitou o convite para visitar Hiroxima, onde os EUA jogaram a primeira bomba atômica, em 6 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial. Jamais um presidente americano esteve na cidade-símbolo do início da Era Nuclear.
O presidente americano falou ainda em garantir um crescimento equilibrado e ecologicamente sustentável da economia mundial depois da grande recessão dos últimos meses.
Como nasceu no Havaí e passou a maior parte da infância da Indonésia, terminou se apresentando como o primeiro presidente americano do Oceano Pacífico. Prometeu que os EUA não vão tentar "conter a China" e propôs um relacionamento mais equilibrado com os países da região.
Obama voltou a pregar a abolição total das armas nucleares, dirigindo-se especificamente à Coreia do Norte e ao Irã, que estão sendo acusados pela sociedade internacional de desenvolver armas atômicas. Ressalvou que, enquanto isto não acontecer, os EUA vão manter um poderoso mecanismo de dissuasão.
Apesar de pregar a extinção das armas nucleares, Obama rejeitou o convite para visitar Hiroxima, onde os EUA jogaram a primeira bomba atômica, em 6 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial. Jamais um presidente americano esteve na cidade-símbolo do início da Era Nuclear.
O presidente americano falou ainda em garantir um crescimento equilibrado e ecologicamente sustentável da economia mundial depois da grande recessão dos últimos meses.
Como nasceu no Havaí e passou a maior parte da infância da Indonésia, terminou se apresentando como o primeiro presidente americano do Oceano Pacífico. Prometeu que os EUA não vão tentar "conter a China" e propôs um relacionamento mais equilibrado com os países da região.
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Fome ameaça 178 milhões de crianças
Pelo menos 178 milhões de crianças têm problemas de saúde e desenvolvimento por causa de severa desnutrição, e 20 milhões estão ameaçadas de morrer de fome, alertou hoje a organização não governamental Médicos sem Fronteiras.
A três dias do início da conferência anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), que será realiza em Roma, na Itália, de 16 a 18 de dezembro de 2009, os MSF cobraram a criação de um plano de combate à fome de crianças de até cinco anos.
Um porta-voz da ONG considera absurda a estratégia de só intervir em situações de emergência, quando as pessoas estão morrendo de fome. Além dos programas já existentes de distribuição de comida e apoio à agricultura familiar, os MSF querem outro especialmente focado nas crianças.
A três dias do início da conferência anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), que será realiza em Roma, na Itália, de 16 a 18 de dezembro de 2009, os MSF cobraram a criação de um plano de combate à fome de crianças de até cinco anos.
Um porta-voz da ONG considera absurda a estratégia de só intervir em situações de emergência, quando as pessoas estão morrendo de fome. Além dos programas já existentes de distribuição de comida e apoio à agricultura familiar, os MSF querem outro especialmente focado nas crianças.
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Grupos de defesa dos direitos humanos acusam Colômbia
A Coalizão Colombiana pelos Direitos Humanos acusa o governo Álvaro Uribe, seus aliados e os grupos paramilitares de direita por 93% dos casos de abuso dos direitos humanos registrados de 2003 a 2008 no país.
Os grupos guerrilheiros de esquerda foram responsabilizados por apenas 7% das denúncias.
Os grupos guerrilheiros de esquerda foram responsabilizados por apenas 7% das denúncias.
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Acusados pelo 11/9 serão julgados em Nova York
O principal acusado da planejar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Khaled Cheikh Mohammed, e outros quatro suspeitos da rede terrorista Al Caeda serão julgados por um tribunal civil de Nova York, o primeiro alvo de suas ações, informou hoje o ministro da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, que vai pedir pena de morte para todos.
A decisão é fundamental para que o presidente Barack Obama cumpra a promessa de fechar em um ano a partir da posse o centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
Houve protestos tanto da oposição republicana quanto dos parentes dos cerca de 3 mil mortos nos atentados. Eles alegam que foi um ato de guerra e que um julgamento civil pode acabar revelando segredos capazes de comprometer a segurança nacional dos EUA.
Durante o governo George W. Bush, organizações de defesa dos direitos humanos repudiaram a prisão de Guantânamo, usada para deixar os suspeitos de terrorismo num limbo legal. Desta forma, negou-lhes os direitos previstos na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra sob o pretexto de que eram combatentes ilegais civis, não pertenciam a um exército regular nem obedeciam a uma cadeia de comando.
A decisão é fundamental para que o presidente Barack Obama cumpra a promessa de fechar em um ano a partir da posse o centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.
Houve protestos tanto da oposição republicana quanto dos parentes dos cerca de 3 mil mortos nos atentados. Eles alegam que foi um ato de guerra e que um julgamento civil pode acabar revelando segredos capazes de comprometer a segurança nacional dos EUA.
Durante o governo George W. Bush, organizações de defesa dos direitos humanos repudiaram a prisão de Guantânamo, usada para deixar os suspeitos de terrorismo num limbo legal. Desta forma, negou-lhes os direitos previstos na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra sob o pretexto de que eram combatentes ilegais civis, não pertenciam a um exército regular nem obedeciam a uma cadeia de comando.
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Europa volta a crescer e sai da recessão
Depois de cinco trimestres de contração, a União Europeia como um todo cresceu 0,2% no terceiro trimestre de 2009, saindo da recessão. As economias dos 16 países da UE que usam o euro como moeda cresceram 0,4% no terceiro trimestre.
A Alemanha, maior economia da Europa e quarta do mundo, cresceu 0,7%. A França cresceu 0,3%, e a Itália, 0,6%.
O Reino Unido, que não faz parte da zona do euro, e a Espanha continuam em recessão.
A Alemanha, maior economia da Europa e quarta do mundo, cresceu 0,7%. A França cresceu 0,3%, e a Itália, 0,6%.
O Reino Unido, que não faz parte da zona do euro, e a Espanha continuam em recessão.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Medvedev quer uma Rússia de alta tecnologia
O presidente Dimitri Medvedev anuncia planos para transformar a Rússia num país de alta tecnologia, admitindo que a dependência de produtos primários, especialmente petróleo, foi responsável pelo forte impacto da crise internacional sobre o país, que está muito atrás dos outros BRICs na recuperação pós-crise, depois de sofrer uma queda no PIB de 9% (a conferir).
Medvedev disse que é hora de superar o modelo soviético. Ele citou áreas que tinham grande desenvolvimento científico na era soviética, como medicina, tecnologias nuclear e espacial, como base das novas reformas econômicas.
Para os analistas, é também uma jogada para se firmar no poder e sair da sombra do primeiro-ministro e ex-presidente Vladimir Putin, que ainda é considerado o homem-forte da Rússia.
Assim, China, Índia e Rússia planejam um futuro de alta tecnologia, enquanto o quarto BRIC (grupo criado por um economista do banco Goldman Sachs para reunir as grandes potências emergente), o Brasil ainda não definiu qual será sua especialização tecnológica.
Vem aí a revolução da biotecnologia. Vai transformar o mundo ainda mais do que a revolução tecnológica em andamento, da informática, à qual está acoplada.
O Brasil é o país com maior diversidade biológica do mundo e oficialmente ainda despreza esse patrimônio genético incalculável.
Outros destaques econômicos do dia:
• A produção industrial da zona do euro cresceu 0,3% em setembro, mas ainda registra queda de 12,9% na comparação anual.
• Os ministros das Finanças do fórum de Cooperação da Ásia e do Pacífico (APEC) defendem a flutuação do câmbio de acodo com os fundamentos econômicos, como defendeu o secretário do Tesouro dos EUA. O principal alvo é a moeda chinesa, o iuã, que está praticamente colada ao dólar para garantir a competitividade das exportações da China.
• O presidente Barack Obama convocou para o próximo mês, na Casa Branca, um fórum de discussões sobre desemprego.
• Os EUA querem reduzir o déficit público federal com o dinheiro que sobrou do Programa de Alívio de Ativos Tóxicos, o primeiro programa lançado por Bush para salvar o sistema financeiro depois que a crise se agravou.
• O número de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA voltou a cair a semana passada.
• A deflação no atacado no Japão chegou a 6,7%.
• Na França, pelo segundo ano seguido deve haver uma queda nas vendas de Natal, agora da ordem de 3,5%.
• O PIB da Espanha continua em queda, com perda de 0,3% no terceiro trimestre.
• A rede de supermercados americana WalMart teve ganhos 3,2% superiores no terceiro trimestre, mas admite que “o clima de vendas continua difícil”. As ações da maior cadeia varejista do mundo caem porque ela tem sido forçada a baixar preços para enfrentar a concorrência.
• As vendas da Ford na Europa subiram 12% em outubro.
• A British Airways e a Iberia anunciaram uma fusão para criar a terceira maior companhia aérea do mundo.
• A Intel, maior fabricante de chips de computador do mundo, vai pagar multa de US$ 1,25 bi num processo antimonopólio.
• As bolsas da Ásia e dos EUA caíram.
• Na Europa, a possível fusão da BA com a Iberia provocou uma pequena alta.
Medvedev disse que é hora de superar o modelo soviético. Ele citou áreas que tinham grande desenvolvimento científico na era soviética, como medicina, tecnologias nuclear e espacial, como base das novas reformas econômicas.
Para os analistas, é também uma jogada para se firmar no poder e sair da sombra do primeiro-ministro e ex-presidente Vladimir Putin, que ainda é considerado o homem-forte da Rússia.
Assim, China, Índia e Rússia planejam um futuro de alta tecnologia, enquanto o quarto BRIC (grupo criado por um economista do banco Goldman Sachs para reunir as grandes potências emergente), o Brasil ainda não definiu qual será sua especialização tecnológica.
Vem aí a revolução da biotecnologia. Vai transformar o mundo ainda mais do que a revolução tecnológica em andamento, da informática, à qual está acoplada.
O Brasil é o país com maior diversidade biológica do mundo e oficialmente ainda despreza esse patrimônio genético incalculável.
Outros destaques econômicos do dia:
• A produção industrial da zona do euro cresceu 0,3% em setembro, mas ainda registra queda de 12,9% na comparação anual.
• Os ministros das Finanças do fórum de Cooperação da Ásia e do Pacífico (APEC) defendem a flutuação do câmbio de acodo com os fundamentos econômicos, como defendeu o secretário do Tesouro dos EUA. O principal alvo é a moeda chinesa, o iuã, que está praticamente colada ao dólar para garantir a competitividade das exportações da China.
• O presidente Barack Obama convocou para o próximo mês, na Casa Branca, um fórum de discussões sobre desemprego.
• Os EUA querem reduzir o déficit público federal com o dinheiro que sobrou do Programa de Alívio de Ativos Tóxicos, o primeiro programa lançado por Bush para salvar o sistema financeiro depois que a crise se agravou.
• O número de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA voltou a cair a semana passada.
• A deflação no atacado no Japão chegou a 6,7%.
• Na França, pelo segundo ano seguido deve haver uma queda nas vendas de Natal, agora da ordem de 3,5%.
• O PIB da Espanha continua em queda, com perda de 0,3% no terceiro trimestre.
• A rede de supermercados americana WalMart teve ganhos 3,2% superiores no terceiro trimestre, mas admite que “o clima de vendas continua difícil”. As ações da maior cadeia varejista do mundo caem porque ela tem sido forçada a baixar preços para enfrentar a concorrência.
• As vendas da Ford na Europa subiram 12% em outubro.
• A British Airways e a Iberia anunciaram uma fusão para criar a terceira maior companhia aérea do mundo.
• A Intel, maior fabricante de chips de computador do mundo, vai pagar multa de US$ 1,25 bi num processo antimonopólio.
• As bolsas da Ásia e dos EUA caíram.
• Na Europa, a possível fusão da BA com a Iberia provocou uma pequena alta.
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Trabalho compartilhado salva empregos nos EUA
Com mais de 8 milhões de empregos destruídos desde o início da Grande Recessão, em dezembro de 2007, o presidente Barack Obama está sendo pressionado a adotar um programa atualmente adotado por 17 estados, inclusive os com maior população, como Califórnia, Texas, Nova York e Flórida.
Se um trabalhador que ganha US$ 500 por semana perder o emprego, vai ganhar US$ 250 de seguro-desemprego, um ônus para o Estado e para a sociedade ao manter o trabalhador sem produzir.
Quando uma empresa quer cortar 20% dos seus custos trabalhistas por causa da redução dos negócios durante a crise, pode oferecer como alternativa um corte de 20% nos salários e nas horas de trabalho.
Os empregados fazem um trabalho compartilhado, dividiriam entre si o ônus da crise. No exemplo, passam a ganhar US$ 400 por semanas e têm direito a um seguro-desemprego de US$ 50. Ficam na empresa, com a expectativa de voltar a receber o salário integral quando a economia se recuperar.
Se um trabalhador que ganha US$ 500 por semana perder o emprego, vai ganhar US$ 250 de seguro-desemprego, um ônus para o Estado e para a sociedade ao manter o trabalhador sem produzir.
Quando uma empresa quer cortar 20% dos seus custos trabalhistas por causa da redução dos negócios durante a crise, pode oferecer como alternativa um corte de 20% nos salários e nas horas de trabalho.
Os empregados fazem um trabalho compartilhado, dividiriam entre si o ônus da crise. No exemplo, passam a ganhar US$ 400 por semanas e têm direito a um seguro-desemprego de US$ 50. Ficam na empresa, com a expectativa de voltar a receber o salário integral quando a economia se recuperar.
Shimon Peres comete gafe em Brasília
Ao pedir o apoio do Brasil ao processo de paz no Oriente Médio, o presidente de Israel, Shimon Peres, apelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que "criou um programa Luz para Todos, leve essa luz aos povos do Oriente Médio".
Logo no dia seguinte ao apagão.
Logo no dia seguinte ao apagão.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Merkel festeja na França paz na Primeira Guerra Mundial
A primeira-ministra Angela Merkel tornou-se hje a primeira chefe de governo da Alemanha a participar, na França, das comemorações do fim da Primeira Guerra Mundial, o conflito que moldou a História do Século 20.
A visita reforça a aliança entre os dois países, eixo central da integração europeia agora que a UE prepara-se para indicar, no dia 19, o primeiro presidente e uma espécie de ministro do Exterior da Europa.
A visita reforça a aliança entre os dois países, eixo central da integração europeia agora que a UE prepara-se para indicar, no dia 19, o primeiro presidente e uma espécie de ministro do Exterior da Europa.
Chávez nega ameça à Colômbia
Ao receber a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, e uma delegação de empresários brasileiros, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou que esteja ameaçando a Colômbia.
No fim de semana, Chávez disse ao povo e às Forças Armadas venezuelanas que se preparem para um "possível conflito" com o país vizinho.
Ontem, alegou que a ameaça vem de sete bases militares colombianas que serão usadas pelos Estados Unidos. Ele disse que o Departamento da Defesa vai monitorar, a partir das bases, toda a América do Sul, inclusive o Brasil e a Argentina, e até a África.
No fim de semana, Chávez disse ao povo e às Forças Armadas venezuelanas que se preparem para um "possível conflito" com o país vizinho.
Ontem, alegou que a ameaça vem de sete bases militares colombianas que serão usadas pelos Estados Unidos. Ele disse que o Departamento da Defesa vai monitorar, a partir das bases, toda a América do Sul, inclusive o Brasil e a Argentina, e até a África.
Produção industrial da China cresce 16%
A produção das fábricas da China aumentou 16,1% em outubro, na comparação com o ano passado. O saldo comercial e as vendas no varejo também avançaram, confirmando a recuperação da economia que mais cresceu no mundo nos últimos 30 anos.
Mas, na Europa, a produção industrial da França caiu 1,5% e a da Itália 5,3%.
Mas, na Europa, a produção industrial da França caiu 1,5% e a da Itália 5,3%.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Analistas melhoram previsão de crescimento dos EUA
A economia dos Estados Unidos deve crescer a uma taxa anual de 2,8% de outubro a dezembro, cofirmando o fim da pior recessão desde a Grande Depressão (1929-39). Mas deve fechar o ano com uma queda de 2,4%, voltando a crescer com força em 2010, preveem analistas econômicos americanos.
Em pesquisa divulgada pela publicação Blue Chip Economic Indicators, 52 economistas preveem, na média, um avanço de 2,7% no próximo ano. No mês passado, a expectativa era de um crescimento de 2,5%.
Em pesquisa divulgada pela publicação Blue Chip Economic Indicators, 52 economistas preveem, na média, um avanço de 2,7% no próximo ano. No mês passado, a expectativa era de um crescimento de 2,5%.
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Emergentes lideram recuperação mundial
O maior banco europeu, o HSBC diz que o pior da crise já passou e que a recuperação será liderada pelos emergentes.
Outros destaques econômicos do dia:
• A Comissão Europeia rejeita a compra da Sun Microsystems pela Oracle por US$ 7 bi com base nas regras antimonopólio. As duas empresas são americanas, mas, se não atenderem à legislação europeia, não poderão fazer negócios na UE, o maior mercado consumidor mundial.
• O banco britânico Lloyds vai demitir mais 5 mil.
• O banco britânico Barclays, que não pediu ajuda ao governo, teve queda de 54% no lucro no terceiro trimestre.
• A libra cai com a ameaça de que a dívida soberana do Reino Unido, um dos países mais abalados pela crise, seja rebaixada por uma agência de classificação de risco.
• As bolsas da Ásia sobem na onda de Wall St. , que ontem atingiu o maior nível em 13 meses. Na Europa, foi um dia de queda. Em Nova York, o Índice Dow Jones teve um pequeno avanço, mas o índice amplo S&P500 e a bolsa eletrônica Nasdaq caíram.
Outros destaques econômicos do dia:
• A Comissão Europeia rejeita a compra da Sun Microsystems pela Oracle por US$ 7 bi com base nas regras antimonopólio. As duas empresas são americanas, mas, se não atenderem à legislação europeia, não poderão fazer negócios na UE, o maior mercado consumidor mundial.
• O banco britânico Lloyds vai demitir mais 5 mil.
• O banco britânico Barclays, que não pediu ajuda ao governo, teve queda de 54% no lucro no terceiro trimestre.
• A libra cai com a ameaça de que a dívida soberana do Reino Unido, um dos países mais abalados pela crise, seja rebaixada por uma agência de classificação de risco.
• As bolsas da Ásia sobem na onda de Wall St. , que ontem atingiu o maior nível em 13 meses. Na Europa, foi um dia de queda. Em Nova York, o Índice Dow Jones teve um pequeno avanço, mas o índice amplo S&P500 e a bolsa eletrônica Nasdaq caíram.
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Blackwater pagou suborno de US$ 1 milhão a iraquianos
A empresa americana de segurança Blackwater, considerada o maior exército pagou mais de US$ 1 milhão de suborno a políticos iraquianos para encobrir o massacre de 17 pessoas por agentes da Blackwater, em Bagdá, em setembro de 2007.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Autor do ataque em Forte Hood quis contatar Al Caeda
O major Nidal Malik Hassan, único suspeito até agora do massacre de 12 soldados e um civil na base militar de Forte Hood, no Texas, na semana passada, tentou entrar em contato com a rede terrorista Al Caeda.
As autoridades militares americanas não levaram adiante a investigação. Isso está provocando revolta.
Hassan deu vários sinais de que estava convertido ideologicamente ao jihadismo:
• defendia o direito de militares muçulmanos não lutarem contra muçulmano por "objeção de consciência";
• declarava que "os muçulmanos têm o direito de se defender"
• chegou a defender o terrorismo suicida.
As autoridades militares americanas não levaram adiante a investigação. Isso está provocando revolta.
Hassan deu vários sinais de que estava convertido ideologicamente ao jihadismo:
• defendia o direito de militares muçulmanos não lutarem contra muçulmano por "objeção de consciência";
• declarava que "os muçulmanos têm o direito de se defender"
• chegou a defender o terrorismo suicida.
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Colômbia recorre a ONU e OEA contra Chávez
Diante das ameaças do presidente Hugo Chávez, que colocou as Forças Armadas da Venezuela de prontidão para uma "possível guerra" contra a Colômbia, o governo de Bogotá anunciou hoje a intenção de recorrer ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e à Organização dos Estados Americanos.
Em mais uma de suas bravatas para pressionar o povo venezuelano, o caudilho afirmou que a Venezuela é o verdadeiro alvo do acordo militar que autoriza os militares americanos a usar sete bases militares colombianas, a pretexto de combater o terrorismo e as guerrilhas esquerdistas.
No Brasil, o presidente do Senado, José Sarney mudou de posição. Depois de conchavos com o governo Lula para se manter no cargo apesar da tsuname de denúncias de corrupção, Sarney agora é a favor da entrada da Venezuela no Mercosul. Ele disse hoje não acreditar que a mais nova bravata chavista atrapalhe o ingresso da Venezuela no bloco econômico.
Em mais uma de suas bravatas para pressionar o povo venezuelano, o caudilho afirmou que a Venezuela é o verdadeiro alvo do acordo militar que autoriza os militares americanos a usar sete bases militares colombianas, a pretexto de combater o terrorismo e as guerrilhas esquerdistas.
No Brasil, o presidente do Senado, José Sarney mudou de posição. Depois de conchavos com o governo Lula para se manter no cargo apesar da tsuname de denúncias de corrupção, Sarney agora é a favor da entrada da Venezuela no Mercosul. Ele disse hoje não acreditar que a mais nova bravata chavista atrapalhe o ingresso da Venezuela no bloco econômico.
Irã acusa alpinistas americanos de espionagem
Numa medida que piora ainda mais as relações entre os dois países, o regime fundamentalista do Irã decidiu denunciar por espionagem três alpinistas dos Estados Unidos presos no fim de julho, quando teriam cruzado inadvertidamente a fronteira entre Irã e Iraque.
Venda de carros sobe 72,5% na China
Com o forte programa de estímulo governamental para enfrentar a crise econômica internacional, as vendas de automóveis na China cresceram 72,5% em setembro, na comparação com o mesmo mês no ano passado, chegando a 1,23 milhão.
A China superou os Estados Unidos e já é o maior mercado mundial de veículos.
Numa conferência internacional realizada em Charm-al-Cheikh, no Egito, o primeiro-ministro Wen Jiabao prometeu que a China dará empréstimos de até US$ 10 bilhões aos africanos nos próximos três anos.
A China superou os Estados Unidos e já é o maior mercado mundial de veículos.
Numa conferência internacional realizada em Charm-al-Cheikh, no Egito, o primeiro-ministro Wen Jiabao prometeu que a China dará empréstimos de até US$ 10 bilhões aos africanos nos próximos três anos.
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Muro de Berlim foi a cicatriz da Guerra Fria
No fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, a Alemanha foi ocupada e dividida pelos Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França. Sua capital, Berlim, ficou no setor soviético e também foi dividida em quatro.
Em 1948, para pressionar os aliados ocidentais no início da Guerra Fria, o ditador soviético Josef Stalin decretou o Bloqueio de Berlim, a segunda crise do conflito entre as superpotências, depois de problemas entre o Irã e a URSS, em 1946. Foi uma reação à aprovação do Plano Marshall, que Stalin chamou de “imperalismo do dólar”.
De 24 de junho de 1948 a 11 de maio de 1949, a passagem por terra da Alemanha Ocidental para Berlim Ocidental foi fechada por ordem do Kremlin. Neste período, mais de 200 mil voos levaram 13 mil toneladas de comida e outros suprimentos para a cidade sitiada.
Quando ficou evidente que o bloqueio não estava funcionando e que a ponte aérea era instrumento de propaganda do Ocidente, a URSS suspendeu o cerco. O aeroporto de Tempelhof, em Berlim Ocidental, foi transformado em museu da ponte aérea montada para furar o bloqueio.
Em 7 de outubro de 1949, a República Democrática da Alemanha, a Alemanha Oriental, nascia oficialmente, reunindo cinco estados da parte central da antiga Alemanha: Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Turíngia. Os territórios à margem oriental dos rios Oder e Neisse foram entregues à Polônia para compensá-la pelas terras tomadas pela URSS.
Pelo total de mortos na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos e 11 milhões de alemães, foi, acima de tudo, uma guerra entre a Alemanha e a URSS. Stalin aproveitou a ocupação para exigir reparações de guerra.
Em 16 de junho de 1953, o regime comunista alemão-oriental decretou um aumento de 10% na cota de produção dos operarios que construíam uma nova avenida em Berlim Oriental, a Stalinalle, hoje Karl Marx Allee. No dia seguinte, um movimento sindical de protesto se espalhou pelo país levando a uma grave de mais de um milhão de pessoas.
O governo alemão pediu a ajuda da URSS, que usou tanques contra a multidão. Pelo menos 50 pessoas morreram. Cerca de 10 mil foram presas e condenadas pelo Levante de 1953.
Com a ajuda do Plano Marshall, a República Federal da Alemanha, também fundada em 1949, cresceu e se recuperou, atraindo cada vez mais alemães do Leste. Descontentes com a falta de liberdade de oportunidades no regime comunista, cada vez mais eles “votavam com os pés”. Cerca de 3,5 milhões fugiram para o Ocidente.
CONSTRUÇÃO DO MURO
Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a fronteira com Berlim Ocidental foi fechada. Começava a construção do Muro de Berlim. A cidade se tornava um enclave capitalista.
Durante quase todo o tempo de sua existência, a ordem era atirar para matar em quem tentasse cruzar o Muro de Berlim. Cerca de 200 pessoas morreram tentando fugir (136, segundo um centro de pesquisa de Potsdam que está investigando detalhes dessas mortes). Cerca de 5 mil conseguiram escapar.
A história do Muro está contada no Museu do Check Point Charlie, um dos principais postos de fronteira onde se podia atravessar o Muro. Tem diversos instrumentos usados em tentativas de fuga, inclusive um motor aquático para fugir por baixo da água. Lá, estão as placas do tempo da Guerra Fria, do tipo "Vocé Está Deixando o Setor Americano".
A construção do Muro coincide com um período de elevada tensão na Guerra Fria. Em 15 de abril de 1961, houve a frustrada tentativa de exilados cubanos apoiados pela Agência Central de Inteligência (CIA), a agência de espionagem dos EUA, de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba. Isso levaria à tentativa de instalação de mísseis soviéticos em Cuba.
A Crise dos Mísseis (14 a 27 de outubro de 1962) foi o momento de maior tensão da Era Atômica. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Na época, ficou decidido que uma linha telefônica direta ligaria permanentemente a Casa Branca ao Kremlin para desarmar crises mundiais através da comunicação direta. O telefone vermelho começou a funcionar em 30 de agosto de 1963.
No mesmo ano, tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente em posição ameaçadora numa rua de Berlim. Em 26 de junho de 1963, Kennedy fez um famoso discurso Eu Sou um Berlinense diante do Muro: “Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. Portanto, como um homem livre, tenho orgulho das palavras: Ich bin ein Berliner.”
Para aliviar as tensões e evitar que a Alemanha fosse palco da primeira batalha da Guerra Fria, em 1969, o primeiro-ministro social-democrata alemão-ocidental Willy Brandt lançou sua nova Ostpolitik, política para a Alemanha Oriental, numa tentativa de mudar o regime comunista através da reaproximação, do estabelecimento de laços diplomáticos, econômicos e culturais.
Em 1970, Brandt assinou o Tratado de Moscou, renunciando ao uso da força e reconhecendo as fronteiras da Europa, e o Tratado de Varsóvia, reconhecendo a fronteira polonesa nos rios Oder e Neisse. Em 1972, fechou o controvertido Tratado Básico com a Alemanha Oriental, estabelecendo relações diplomáticas entre os dois países.
ERA GORBACHEV
O Muro começou a ruir com a ascensão de Mikhai Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de marco de 1985. Sua abertura democrática (glasnost) e sua reestruturação econômica (perestroika) foram mal recebidas pelos stalinistas da Alemanha Oriental, liderados por Erich Honecker, um entusiasta do Muro.
Dois meses antes do início da construção, o então líder do partido Walter Ulbricht, negou que seria construído, mas aparentemente mudou de ideia ao receber um telefonema do primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev, em 1º de agosto de 1961.
Em discurso diante do muro em 12 de junho de 1987, outro presidente americano, Ronald Reagan, fez um apelo a Gorbachev para derrubar o Muro.
Em 5 de abril de 1989, na Polônia, o sindicato livre Solidariedade fez um acordo com o regime comunista para participar de eleições, que venceu por maioria esmagadora em 4 e 18 de junho, perdendo apenas duas cadeiras das que pôde disputar.
Em 2 de maio, a Hungria rompeu a Cortina de Ferro. Começou a demanchar a cerca eletrificada na fronteira com a Áustria. Em 23 de agosto, em plenas férias de verão na Europa, todas as barreiras nas fronteiras da Hungria tinham caído.
Cidadãos dos países comunistas da Europa Oriental iam para a Hungria e cruzavam para o Ocidente. Cerca de 13 mil alemães-orientais fugiram via Áustria.
Quando começaram a ser mandados de volta da fronteira por pressão da Alemanha Oriental, invadiram embaixadas da Alemanha Oriental em Budapeste e Praga. O ministro do Exterior alemão-ocidental, Hans-Dietrich Genscher, foi pessoalmente a Praga. Os fugitivos foram autorizados a emigrar para a Alemanha Ocidental
O Muro de Berlim, em sua quarta geração, com blocos de concreto de 4 m de altura, resistia à avalanche democrática. Mas, desde setembro, as manifestações de massa de tornaram frequentes.
Em outubro de 1989, a Alemanha Oriental celebrou seus 40 anos com a presença de delegações dos partidos da esquerda brasileira. Mas o veterano líder linha-dura Honecker, que previra em janeiro que o Muro duraria mais cem anos, foi substituído por Egon Krenz, mais tolerante com a fuga dos alemães-orientais através dos países vizinhos.
Em 4 de novembro, um milhão de pessoas se reuniram na Alexanderplatz, no coração de Berlim Oriental, para pedir a abertura do regime.
Estive lá em 1990 e depois em 1998, na primeira eleição do Schröder, quando a praça já estava tomada pelos ex-comunistas do antigo Partido Socialista Unificado, o partido comunista da Alemanha Oriental, que mudou de nome para Partido Democrático Socialista e se fundiu com dissidentes do Partido Social-Democrata para formar um novo partido, A Esquerda.
O pessoal que realmente iniciou o movimento da sociedade civil pelo fim do comunismo formou a Aliança 90, aliada no Leste dOs Verdes. O partido verde alemão é o mais importante do mundo. Esteve no poder em aliança com o Partido Social-Democrata SPD na coligação verde-rosa, sob Schröder.
Sob pressão da fuga em massa que importunava outros países e dos protestos de rua, em 9 de novembro de 1989, o Politburo do partido comunista decidiu permitir que os alemães-orientais saíssem do país para visitar a Alemanha Ocidental através das fronteiras do país.
Com pouco mais do que uma nota em mãos, o encarregado de dar a notícia, o secretário de Propaganda do partido, Günter Schabowski, foi para uma entrevista coletiva fazer o anúncio. Disse que, pelas novas regras, os alemães-orientais poderiam viajar ao exterior. Bastava apresentar o passaporte na fronteira.
Diante de uma pergunta inesperada de um jornalista italiano, acrescentou que a medida entraria em vigor imediatamente.
Dezenas de milhares de alemães-orientais foram para os postos de fronteira em Berlim para cruzar o Muro. Os guardas não sabiam o que fazer. Ligaram para seus superiores, que não tinham sido informados da decisão confusa do Politburo. Cederam para evitar um banho de sangue como o que acontecera na Praça da Paz Celestial, em Pequim.
Os alemães cruzaram e pularam o Muro em diversos pontos. Tenho amigos que me disseram que, quando voltaram, no meio da madrugada, havia soldados postados ao longo de todo o lado oriental, o que foi interpretado como sinal de que o regime ainda estava em dúvida quanto à abertura total.
No dia seguinte, foi anunciada a abertura de mais 10 pontos de passagem. Antes do Natal, cidadãos das duas Alemanhas podiam viajar livremente entre os dois países.
Em 22 de dezembro, foi aberta a Porta de Brandemburgo, um dos principais pontos de Berlim, local das grandes celebrações de Ano Novo. Do lado oriental, leva à Unter den Linden (Avenida das Tílias), um dos lugares bonitos da antiga Berlim Oriental, onde as paredes dos prédios históricos ainda estava cravejadas pelas balas da Segunda Guerra Mundial.
LOCAIS HISTÓRICOS
Ao lado do Reichtstag, sede do Parlamento Alemão, a Porta de Brandemburgo é o principal símbolo de Berlim, Tem também a igreja da avenida Kurfurtensdam, que foi bombardeada e é mantida em ruínas como memória histórica, e a Coluna da Vitória.
O Mitte (Centro) da antiga Berlim Oriental se tornou um dos bairros mais agitados da festiva noite berlinense, para onde foram os artistas plásticos em busca de aluguéis mais baratos e espaço.
Um dos grandes marcos da reunificação da cidade é a Potzdamerplatz, onde em 1928, foi instalado o primeiro sinal de trânsito na Europa. Durante a Guerra Fria, a Potzdamer Platz sumiu. Ficava na terra de ninguém entre os dois lados do Muro. Ali, foi construído um grande centro comercial, com lojas, cinemas, teatros, restaurantes e galerais de arte para celebrar a Alemanha moderna.
REUNIFICAÇÃO
A queda do Muro foi uma bênção para o chanceler (primeiro-ministro) conservador Helmut Kohl, que governava a Alemanha Ocidental desde 1982, depois de romper uma longa hegemonia do SPD que vinha desde 1969.
Kohl estava mal nas pesquisas, mas o trem da História passou e ele pegou uma carona.
Em 1990, as potências ocupantes renunciaram a todos os seus direitos sobre o território alemão. A URSS saiu fora, e os ocidentais ficaram por causa da OTAN.
Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada sob a liderança de Kohl que venceu mais uma eleição. A atual chanceler, Angela Merkel, é do Leste e lidera o partido de Kohl, a União Democrata-Cristã (CDU), que venceu as eleições de 27 de setembro deste ano.
Para conquistar o apoio politico dos alemães-orientais, Kohl cometeu o que é considerado o grande erro econômico da reunificação. No mercado, o marco oriental valia seis vezes menos do que o marco alemão-ocidental.
Numa decisão política, Kohl resolveu converter poupanças, salários e pensões na cotação de um por um. Isso aumentou artificialmente os custos e preços do lado oriental e acabou sendo um obstáculo à absorção do Leste pela Alemanha Ocidental.
A nova Alemanha investiu até hoje 1,3 trilhão de euros na antiga Alemanha Oriental. A taxa de juros subiu para financiar tudo isso, pressionando moedas europeias mais fracas, como a lira e a libra, que sofreram fortes desvalorizações em 1992.
ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Kohl ainda se reelegeu em 1994 e completou 16 anos no poder. A esquerda só voltou ao poder com Gerhard Schröder, cujo slogan de campanha era Neue Mitte (Novo Centro). Ele se apresentava como uma espécie de Tony Blair alemão, um modernizador que traria a social-democracia mais para o centro para ganhar eleições.
Schröder era um politico pragmático que fechou diversos acordos de bastidores. Nunca teve uma visão programática e ideológica capaz de relançar o SPD a seus momentos de glória. Na verdade, os grandes partidos, o SPD e a CDU, perderam muito espaço para partidos menores nas últimas décadas.
Com algumas reformas liberalizantes, Schröder conseguiu acelerar o crescimento da estagnada economia alemã e reduzir o desemprego, que atingia 4 milhões quando ele se elegeu, em setembro de 1998.
O crescimento e a oposição à invasão do Iraque lhe valeram a reeleição em 2002. Em 2005, ele perdeu por pequena margem para a atual chanceler Angela Merkel, que passou a governar numa grande aliança com o SPD até vencer as eleições de setembro de 2009.
Schröder governou em aliança com Os Verdes, com Joschka Fischer, um ex-líder estudantil e radical dos anos 60 que virou estadista, como ministro do Exterior. Fischer desafiou o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, quando a Alemanha, como membro temporário do Conselho de Segurança, foi contra a invasão do Iraque, provocando um grande racha na aliança transatlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
No Kossovo, a Alemanha voltou a entrar em guerra pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma convenção dOs Verdes, militantes e Fischer, na mesa, se acusavam de Hitler porque a Alemanha voltaria a entrar em combate na Guerra do Kossovo, em 1999.
A Alemanha quer mudar, mas é um pais maior e mais desigual, mais desequilibrado depois da reunificação, maior do que a aliada França. Isso abalou o eixo central da integração europeia, sob tremendas pressões da globalização,
O modelo social-democrata, símbolo da estabilidade, da paz e da prosperidade do pós-guerra, está ameaçado.
Uma crise que a Alemanha não esperava e acredita que não criou abalou inclusive o sistema financeiro alemão, que tinha excesso de poupança para aplicar, então investiu nos papéis que micaram.
As exportações desabaram. No primeiro semestre, a China superou a Alemanha e se tornou a maior exportadora mundial de produtos industriais.
A Alemanha compete com sua engenharia de ponta, mas seus custos são muito superiores aos da China, Índia, Sudeste Asiático, América Latina e Europa Oriental. A maior cidade industrial da Alemanha hoje é São Paulo, onde as empresas alemães criam mais valor.
Nas eleições de 2005, nenhum partido ganhou um mandato claro. Merkel governou com o SPD do ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier.
Só agora pôde fazer aliança com os liberais-democratas do FDP, partido que tradicionalmente era o fiel da balança, fazia alianças com a CDU e o SPD para formar o governo.
Longe do poder, o FDP se tornou um partido mais liberal economicamente, a favor de desburocratização, desregulamentação, corte de impostos e subsídios, e reforma das leis de negociação coletiva de salários. Seu líder é Guido Westerwelle, novo ministro do Exterior alemão.
Merkel teme a volta da inflação com o aumento do endividamento público e gostaria de impor mais disciplina ao mercado financeiro. Steinmeier prometia pleno emprego dentro de alguns anos, o que parece impossível.
Resultado: o SPD sofreu sua maior derrota desde as eleições que levaram Hitler ao poder, em 1932.
A Alemanha é uma sociedade complexa, em larga medida introvertida e insegura quanto ao futuro, em crise de identidade, com dificuldades para manter a estabilidade, a harmonia e a paz social conquistadas com a economia social de mercado do modelo social-demcrata. Sua saída é a Europa, mas a UE dos 27 se tornou grande demais e também vive sua crise de identidade.
De qualquer maneira, é um país rico, moderno e bem-sucedido, que está na vanguarda da ciência, da cultura e das artes, berço de poetas e filósofos - e vai continuar sendo um dos mais importantes do mundo.
Em 1948, para pressionar os aliados ocidentais no início da Guerra Fria, o ditador soviético Josef Stalin decretou o Bloqueio de Berlim, a segunda crise do conflito entre as superpotências, depois de problemas entre o Irã e a URSS, em 1946. Foi uma reação à aprovação do Plano Marshall, que Stalin chamou de “imperalismo do dólar”.
De 24 de junho de 1948 a 11 de maio de 1949, a passagem por terra da Alemanha Ocidental para Berlim Ocidental foi fechada por ordem do Kremlin. Neste período, mais de 200 mil voos levaram 13 mil toneladas de comida e outros suprimentos para a cidade sitiada.
Quando ficou evidente que o bloqueio não estava funcionando e que a ponte aérea era instrumento de propaganda do Ocidente, a URSS suspendeu o cerco. O aeroporto de Tempelhof, em Berlim Ocidental, foi transformado em museu da ponte aérea montada para furar o bloqueio.
Em 7 de outubro de 1949, a República Democrática da Alemanha, a Alemanha Oriental, nascia oficialmente, reunindo cinco estados da parte central da antiga Alemanha: Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Turíngia. Os territórios à margem oriental dos rios Oder e Neisse foram entregues à Polônia para compensá-la pelas terras tomadas pela URSS.
Pelo total de mortos na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos e 11 milhões de alemães, foi, acima de tudo, uma guerra entre a Alemanha e a URSS. Stalin aproveitou a ocupação para exigir reparações de guerra.
Em 16 de junho de 1953, o regime comunista alemão-oriental decretou um aumento de 10% na cota de produção dos operarios que construíam uma nova avenida em Berlim Oriental, a Stalinalle, hoje Karl Marx Allee. No dia seguinte, um movimento sindical de protesto se espalhou pelo país levando a uma grave de mais de um milhão de pessoas.
O governo alemão pediu a ajuda da URSS, que usou tanques contra a multidão. Pelo menos 50 pessoas morreram. Cerca de 10 mil foram presas e condenadas pelo Levante de 1953.
Com a ajuda do Plano Marshall, a República Federal da Alemanha, também fundada em 1949, cresceu e se recuperou, atraindo cada vez mais alemães do Leste. Descontentes com a falta de liberdade de oportunidades no regime comunista, cada vez mais eles “votavam com os pés”. Cerca de 3,5 milhões fugiram para o Ocidente.
CONSTRUÇÃO DO MURO
Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a fronteira com Berlim Ocidental foi fechada. Começava a construção do Muro de Berlim. A cidade se tornava um enclave capitalista.
Durante quase todo o tempo de sua existência, a ordem era atirar para matar em quem tentasse cruzar o Muro de Berlim. Cerca de 200 pessoas morreram tentando fugir (136, segundo um centro de pesquisa de Potsdam que está investigando detalhes dessas mortes). Cerca de 5 mil conseguiram escapar.
A história do Muro está contada no Museu do Check Point Charlie, um dos principais postos de fronteira onde se podia atravessar o Muro. Tem diversos instrumentos usados em tentativas de fuga, inclusive um motor aquático para fugir por baixo da água. Lá, estão as placas do tempo da Guerra Fria, do tipo "Vocé Está Deixando o Setor Americano".
A construção do Muro coincide com um período de elevada tensão na Guerra Fria. Em 15 de abril de 1961, houve a frustrada tentativa de exilados cubanos apoiados pela Agência Central de Inteligência (CIA), a agência de espionagem dos EUA, de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba. Isso levaria à tentativa de instalação de mísseis soviéticos em Cuba.
A Crise dos Mísseis (14 a 27 de outubro de 1962) foi o momento de maior tensão da Era Atômica. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Na época, ficou decidido que uma linha telefônica direta ligaria permanentemente a Casa Branca ao Kremlin para desarmar crises mundiais através da comunicação direta. O telefone vermelho começou a funcionar em 30 de agosto de 1963.
No mesmo ano, tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente em posição ameaçadora numa rua de Berlim. Em 26 de junho de 1963, Kennedy fez um famoso discurso Eu Sou um Berlinense diante do Muro: “Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. Portanto, como um homem livre, tenho orgulho das palavras: Ich bin ein Berliner.”
Para aliviar as tensões e evitar que a Alemanha fosse palco da primeira batalha da Guerra Fria, em 1969, o primeiro-ministro social-democrata alemão-ocidental Willy Brandt lançou sua nova Ostpolitik, política para a Alemanha Oriental, numa tentativa de mudar o regime comunista através da reaproximação, do estabelecimento de laços diplomáticos, econômicos e culturais.
Em 1970, Brandt assinou o Tratado de Moscou, renunciando ao uso da força e reconhecendo as fronteiras da Europa, e o Tratado de Varsóvia, reconhecendo a fronteira polonesa nos rios Oder e Neisse. Em 1972, fechou o controvertido Tratado Básico com a Alemanha Oriental, estabelecendo relações diplomáticas entre os dois países.
ERA GORBACHEV
O Muro começou a ruir com a ascensão de Mikhai Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de marco de 1985. Sua abertura democrática (glasnost) e sua reestruturação econômica (perestroika) foram mal recebidas pelos stalinistas da Alemanha Oriental, liderados por Erich Honecker, um entusiasta do Muro.
Dois meses antes do início da construção, o então líder do partido Walter Ulbricht, negou que seria construído, mas aparentemente mudou de ideia ao receber um telefonema do primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev, em 1º de agosto de 1961.
Em discurso diante do muro em 12 de junho de 1987, outro presidente americano, Ronald Reagan, fez um apelo a Gorbachev para derrubar o Muro.
Em 5 de abril de 1989, na Polônia, o sindicato livre Solidariedade fez um acordo com o regime comunista para participar de eleições, que venceu por maioria esmagadora em 4 e 18 de junho, perdendo apenas duas cadeiras das que pôde disputar.
Em 2 de maio, a Hungria rompeu a Cortina de Ferro. Começou a demanchar a cerca eletrificada na fronteira com a Áustria. Em 23 de agosto, em plenas férias de verão na Europa, todas as barreiras nas fronteiras da Hungria tinham caído.
Cidadãos dos países comunistas da Europa Oriental iam para a Hungria e cruzavam para o Ocidente. Cerca de 13 mil alemães-orientais fugiram via Áustria.
Quando começaram a ser mandados de volta da fronteira por pressão da Alemanha Oriental, invadiram embaixadas da Alemanha Oriental em Budapeste e Praga. O ministro do Exterior alemão-ocidental, Hans-Dietrich Genscher, foi pessoalmente a Praga. Os fugitivos foram autorizados a emigrar para a Alemanha Ocidental
O Muro de Berlim, em sua quarta geração, com blocos de concreto de 4 m de altura, resistia à avalanche democrática. Mas, desde setembro, as manifestações de massa de tornaram frequentes.
Em outubro de 1989, a Alemanha Oriental celebrou seus 40 anos com a presença de delegações dos partidos da esquerda brasileira. Mas o veterano líder linha-dura Honecker, que previra em janeiro que o Muro duraria mais cem anos, foi substituído por Egon Krenz, mais tolerante com a fuga dos alemães-orientais através dos países vizinhos.
Em 4 de novembro, um milhão de pessoas se reuniram na Alexanderplatz, no coração de Berlim Oriental, para pedir a abertura do regime.
Estive lá em 1990 e depois em 1998, na primeira eleição do Schröder, quando a praça já estava tomada pelos ex-comunistas do antigo Partido Socialista Unificado, o partido comunista da Alemanha Oriental, que mudou de nome para Partido Democrático Socialista e se fundiu com dissidentes do Partido Social-Democrata para formar um novo partido, A Esquerda.
O pessoal que realmente iniciou o movimento da sociedade civil pelo fim do comunismo formou a Aliança 90, aliada no Leste dOs Verdes. O partido verde alemão é o mais importante do mundo. Esteve no poder em aliança com o Partido Social-Democrata SPD na coligação verde-rosa, sob Schröder.
Sob pressão da fuga em massa que importunava outros países e dos protestos de rua, em 9 de novembro de 1989, o Politburo do partido comunista decidiu permitir que os alemães-orientais saíssem do país para visitar a Alemanha Ocidental através das fronteiras do país.
Com pouco mais do que uma nota em mãos, o encarregado de dar a notícia, o secretário de Propaganda do partido, Günter Schabowski, foi para uma entrevista coletiva fazer o anúncio. Disse que, pelas novas regras, os alemães-orientais poderiam viajar ao exterior. Bastava apresentar o passaporte na fronteira.
Diante de uma pergunta inesperada de um jornalista italiano, acrescentou que a medida entraria em vigor imediatamente.
Dezenas de milhares de alemães-orientais foram para os postos de fronteira em Berlim para cruzar o Muro. Os guardas não sabiam o que fazer. Ligaram para seus superiores, que não tinham sido informados da decisão confusa do Politburo. Cederam para evitar um banho de sangue como o que acontecera na Praça da Paz Celestial, em Pequim.
Os alemães cruzaram e pularam o Muro em diversos pontos. Tenho amigos que me disseram que, quando voltaram, no meio da madrugada, havia soldados postados ao longo de todo o lado oriental, o que foi interpretado como sinal de que o regime ainda estava em dúvida quanto à abertura total.
No dia seguinte, foi anunciada a abertura de mais 10 pontos de passagem. Antes do Natal, cidadãos das duas Alemanhas podiam viajar livremente entre os dois países.
Em 22 de dezembro, foi aberta a Porta de Brandemburgo, um dos principais pontos de Berlim, local das grandes celebrações de Ano Novo. Do lado oriental, leva à Unter den Linden (Avenida das Tílias), um dos lugares bonitos da antiga Berlim Oriental, onde as paredes dos prédios históricos ainda estava cravejadas pelas balas da Segunda Guerra Mundial.
LOCAIS HISTÓRICOS
Ao lado do Reichtstag, sede do Parlamento Alemão, a Porta de Brandemburgo é o principal símbolo de Berlim, Tem também a igreja da avenida Kurfurtensdam, que foi bombardeada e é mantida em ruínas como memória histórica, e a Coluna da Vitória.
O Mitte (Centro) da antiga Berlim Oriental se tornou um dos bairros mais agitados da festiva noite berlinense, para onde foram os artistas plásticos em busca de aluguéis mais baratos e espaço.
Um dos grandes marcos da reunificação da cidade é a Potzdamerplatz, onde em 1928, foi instalado o primeiro sinal de trânsito na Europa. Durante a Guerra Fria, a Potzdamer Platz sumiu. Ficava na terra de ninguém entre os dois lados do Muro. Ali, foi construído um grande centro comercial, com lojas, cinemas, teatros, restaurantes e galerais de arte para celebrar a Alemanha moderna.
REUNIFICAÇÃO
A queda do Muro foi uma bênção para o chanceler (primeiro-ministro) conservador Helmut Kohl, que governava a Alemanha Ocidental desde 1982, depois de romper uma longa hegemonia do SPD que vinha desde 1969.
Kohl estava mal nas pesquisas, mas o trem da História passou e ele pegou uma carona.
Em 1990, as potências ocupantes renunciaram a todos os seus direitos sobre o território alemão. A URSS saiu fora, e os ocidentais ficaram por causa da OTAN.
Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada sob a liderança de Kohl que venceu mais uma eleição. A atual chanceler, Angela Merkel, é do Leste e lidera o partido de Kohl, a União Democrata-Cristã (CDU), que venceu as eleições de 27 de setembro deste ano.
Para conquistar o apoio politico dos alemães-orientais, Kohl cometeu o que é considerado o grande erro econômico da reunificação. No mercado, o marco oriental valia seis vezes menos do que o marco alemão-ocidental.
Numa decisão política, Kohl resolveu converter poupanças, salários e pensões na cotação de um por um. Isso aumentou artificialmente os custos e preços do lado oriental e acabou sendo um obstáculo à absorção do Leste pela Alemanha Ocidental.
A nova Alemanha investiu até hoje 1,3 trilhão de euros na antiga Alemanha Oriental. A taxa de juros subiu para financiar tudo isso, pressionando moedas europeias mais fracas, como a lira e a libra, que sofreram fortes desvalorizações em 1992.
ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Kohl ainda se reelegeu em 1994 e completou 16 anos no poder. A esquerda só voltou ao poder com Gerhard Schröder, cujo slogan de campanha era Neue Mitte (Novo Centro). Ele se apresentava como uma espécie de Tony Blair alemão, um modernizador que traria a social-democracia mais para o centro para ganhar eleições.
Schröder era um politico pragmático que fechou diversos acordos de bastidores. Nunca teve uma visão programática e ideológica capaz de relançar o SPD a seus momentos de glória. Na verdade, os grandes partidos, o SPD e a CDU, perderam muito espaço para partidos menores nas últimas décadas.
Com algumas reformas liberalizantes, Schröder conseguiu acelerar o crescimento da estagnada economia alemã e reduzir o desemprego, que atingia 4 milhões quando ele se elegeu, em setembro de 1998.
O crescimento e a oposição à invasão do Iraque lhe valeram a reeleição em 2002. Em 2005, ele perdeu por pequena margem para a atual chanceler Angela Merkel, que passou a governar numa grande aliança com o SPD até vencer as eleições de setembro de 2009.
Schröder governou em aliança com Os Verdes, com Joschka Fischer, um ex-líder estudantil e radical dos anos 60 que virou estadista, como ministro do Exterior. Fischer desafiou o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, quando a Alemanha, como membro temporário do Conselho de Segurança, foi contra a invasão do Iraque, provocando um grande racha na aliança transatlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
No Kossovo, a Alemanha voltou a entrar em guerra pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma convenção dOs Verdes, militantes e Fischer, na mesa, se acusavam de Hitler porque a Alemanha voltaria a entrar em combate na Guerra do Kossovo, em 1999.
A Alemanha quer mudar, mas é um pais maior e mais desigual, mais desequilibrado depois da reunificação, maior do que a aliada França. Isso abalou o eixo central da integração europeia, sob tremendas pressões da globalização,
O modelo social-democrata, símbolo da estabilidade, da paz e da prosperidade do pós-guerra, está ameaçado.
Uma crise que a Alemanha não esperava e acredita que não criou abalou inclusive o sistema financeiro alemão, que tinha excesso de poupança para aplicar, então investiu nos papéis que micaram.
As exportações desabaram. No primeiro semestre, a China superou a Alemanha e se tornou a maior exportadora mundial de produtos industriais.
A Alemanha compete com sua engenharia de ponta, mas seus custos são muito superiores aos da China, Índia, Sudeste Asiático, América Latina e Europa Oriental. A maior cidade industrial da Alemanha hoje é São Paulo, onde as empresas alemães criam mais valor.
Nas eleições de 2005, nenhum partido ganhou um mandato claro. Merkel governou com o SPD do ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier.
Só agora pôde fazer aliança com os liberais-democratas do FDP, partido que tradicionalmente era o fiel da balança, fazia alianças com a CDU e o SPD para formar o governo.
Longe do poder, o FDP se tornou um partido mais liberal economicamente, a favor de desburocratização, desregulamentação, corte de impostos e subsídios, e reforma das leis de negociação coletiva de salários. Seu líder é Guido Westerwelle, novo ministro do Exterior alemão.
Merkel teme a volta da inflação com o aumento do endividamento público e gostaria de impor mais disciplina ao mercado financeiro. Steinmeier prometia pleno emprego dentro de alguns anos, o que parece impossível.
Resultado: o SPD sofreu sua maior derrota desde as eleições que levaram Hitler ao poder, em 1932.
A Alemanha é uma sociedade complexa, em larga medida introvertida e insegura quanto ao futuro, em crise de identidade, com dificuldades para manter a estabilidade, a harmonia e a paz social conquistadas com a economia social de mercado do modelo social-demcrata. Sua saída é a Europa, mas a UE dos 27 se tornou grande demais e também vive sua crise de identidade.
De qualquer maneira, é um país rico, moderno e bem-sucedido, que está na vanguarda da ciência, da cultura e das artes, berço de poetas e filósofos - e vai continuar sendo um dos mais importantes do mundo.
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Chávez prepara guerra contra a Colômbia
Em mais uma de suas corriqueiras bravatas, o presidente Hugo Chávez mandou as Forças Armadas da Venezuela se prepararem para a guerra contra a Colômbia.
No seu programa dominical Alô Presidente, o caudilho venezuelano afirmou que "o governo da Colômbia não está em Bogotá, está nos Estados Unidos", numa referência ao acordo em que o governo colombiano autorizou o uso de sete bases militares do país pelos americanos.
No seu programa dominical Alô Presidente, o caudilho venezuelano afirmou que "o governo da Colômbia não está em Bogotá, está nos Estados Unidos", numa referência ao acordo em que o governo colombiano autorizou o uso de sete bases militares do país pelos americanos.
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domingo, 8 de novembro de 2009
Iraque aprova lei para eleições de 16 de janeiro
Depois de uma série de negociações de última hora, a Assembleia Nacional do Iraque aprovou a lei para as eleições parlamentares de 16 de janeiro.
A Comissão Eleitoral considera o tempo escasso para organizar o pleito, mas os políticos estão decididos a manter a data de votação. Será mais um teste para a ordem criada pelos Estados Unidos no Iraque depois da invasão do país para derrubar o ditador Saddam Hussein, em março de 2003.
A Comissão Eleitoral considera o tempo escasso para organizar o pleito, mas os políticos estão decididos a manter a data de votação. Será mais um teste para a ordem criada pelos Estados Unidos no Iraque depois da invasão do país para derrubar o ditador Saddam Hussein, em março de 2003.
EUA dificultam ajuda à Somália
As Nações Unidas acusaram hoje os Estados Unidos de retardarem a ajuda de alimentos à Somália por medo de que os suprimentos caiam nas mãos de milícias fundamentalistas ligadas à rede terrorista Al Caeda.
Desde o mês passado, o Programa Mundial de Alimentos da ONU reduziu pela metade a ração para certas áreas do país, que vive em estado de anarquia há 18 anos, sem governo nem Estado que funcionem. Em dezembro, pode ficar sem comida.
Desde o mês passado, o Programa Mundial de Alimentos da ONU reduziu pela metade a ração para certas áreas do país, que vive em estado de anarquia há 18 anos, sem governo nem Estado que funcionem. Em dezembro, pode ficar sem comida.
China sobretaxa importação dos EUA, UE e Coreia do Sul
Em mais um conflito comercial em meio à maior queda no comércio internacional das últimas décadas, a China aplicou tarifas antidumping de 5% a 35,4% às importações de ácido adípico dos Estados Unidos, da União Europeia e da Coreia do Sul, uma substância essencial à fabricação de nylon.
A medida foi anunciada hoje pelo Ministério do Comércio da China e entra em vigor nesta segunda-feira, 9 de novembro de 2009. O governo chinês acredita que a substância está sendo vendida abaixo do preço de custo, o que caracteriza o dumping.
É mais uma fricção entre as grandes potências. Na semana passada, os EUA e a China anunciaram um acordo para reduzir barreiras comerciais numa série de setores, como agricultura, alta tecnologia e turismo.
Mas, em setembro, o governo Barack Obama sobretaxou as importações de pneus chineses. A China retaliou aumentando as tarifas de importação de frango, automóveis e autopeças americanas.
No mês passado, o governo chinês aplicou tarifas antidumping de até 36% sobre importações de nylon dos EUA, da UE, da Rússia e de Taiwan.
A medida foi anunciada hoje pelo Ministério do Comércio da China e entra em vigor nesta segunda-feira, 9 de novembro de 2009. O governo chinês acredita que a substância está sendo vendida abaixo do preço de custo, o que caracteriza o dumping.
É mais uma fricção entre as grandes potências. Na semana passada, os EUA e a China anunciaram um acordo para reduzir barreiras comerciais numa série de setores, como agricultura, alta tecnologia e turismo.
Mas, em setembro, o governo Barack Obama sobretaxou as importações de pneus chineses. A China retaliou aumentando as tarifas de importação de frango, automóveis e autopeças americanas.
No mês passado, o governo chinês aplicou tarifas antidumping de até 36% sobre importações de nylon dos EUA, da UE, da Rússia e de Taiwan.
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Governo Obama
Câmara aprova reforma da saúde nos EUA
Por 220 a 215, com o voto contrário de 31 deputados, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou agora à noite uma proposta para a reforma do sistema de saúde do país que garante a cobertura para todos os americanos, uma das promessas de campanha do presidente Barack Obama.
O projeto foi aprovado depois de uma mudança de última hora feita pelos líderes do Partido Democrata para impedir a realização de abortos financiados pelo plano de saúde governamental.
A proposta prevê que todos os americanos tenham algum tipo de seguro de saúde. Obama foi pessoalmente ao Capitólio para pressionar pela aprovação da medida.
O custo da reforma está estimado em US$ 1,1 trilhão em 10 anos. A proposta segue agora para o Senado.
O projeto foi aprovado depois de uma mudança de última hora feita pelos líderes do Partido Democrata para impedir a realização de abortos financiados pelo plano de saúde governamental.
A proposta prevê que todos os americanos tenham algum tipo de seguro de saúde. Obama foi pessoalmente ao Capitólio para pressionar pela aprovação da medida.
O custo da reforma está estimado em US$ 1,1 trilhão em 10 anos. A proposta segue agora para o Senado.
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Blogueira rebelde é sequestrada em Cuba
A blogueira Yoani Sánchez, que não pôde vir ao Brasil e a outros países da América Latina para o lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho, denuncia ter sido sequestrada e agredida por agentes do regime comunista cubano quando ia com amigos para uma manifestação pela paz e contra a violência. No ano passado, ela ganhou o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset.
Em seu blog Generación Y, a jornalista denunciou o fato como um ataque no estilo da Camorra, a máfia napolitana.
Pelo relato, Yoani foi abordada por três agentes da ditadura dos irmãos Castro que andavam num carro chinês. A China é a nova aliada que ajuda a sustentar o falido regime cubano.
Ela pediu documentos, a identificação dos agentes ou um mandado de prisão. Nada. Então, gritou por ajuda, denunciando o sequestro. A reação dos bandidos governamentais foi direta: "Não se metam. Eles são contrarrevolucionários."
Depois de uma consulta aos chefes por telefone, conta Yoani, os agentes partiram para a agressão para obrigá-los a entrar no carro. Ela pegou um papel do bolso de um deles e mastigou. Foi o suficiente para que, já dentro do carro, a pegassem pelos cabelos e imobilizassem com um joelho no peito enquanto a espancavam nos rins e na cabeça para que soltasse o papel.
Não houve interrogatório nem ela e seu amigo Orlando foram conduzidos a uma delegacia. Simplesmente, foram espancados e jogados na rua.
Pela descrição, a ação tem todas as características de um ato de terrorismo de Estado de um governo cujos países latino-americanos querem ver de volta na Organização dos Estados Americanos (OEA), ignorando a cláusula democrática aprovada em Santiago do Chile em 2001.
É estranho que o governo Lula lute pela democracia em Honduras ao mesmo tempo em que defende a ditadura cubana.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, Cuba continua sendo uma prisão, como era a extinta Alemanha Oriental.
Em seu blog Generación Y, a jornalista denunciou o fato como um ataque no estilo da Camorra, a máfia napolitana.
Pelo relato, Yoani foi abordada por três agentes da ditadura dos irmãos Castro que andavam num carro chinês. A China é a nova aliada que ajuda a sustentar o falido regime cubano.
Ela pediu documentos, a identificação dos agentes ou um mandado de prisão. Nada. Então, gritou por ajuda, denunciando o sequestro. A reação dos bandidos governamentais foi direta: "Não se metam. Eles são contrarrevolucionários."
Depois de uma consulta aos chefes por telefone, conta Yoani, os agentes partiram para a agressão para obrigá-los a entrar no carro. Ela pegou um papel do bolso de um deles e mastigou. Foi o suficiente para que, já dentro do carro, a pegassem pelos cabelos e imobilizassem com um joelho no peito enquanto a espancavam nos rins e na cabeça para que soltasse o papel.
Não houve interrogatório nem ela e seu amigo Orlando foram conduzidos a uma delegacia. Simplesmente, foram espancados e jogados na rua.
Pela descrição, a ação tem todas as características de um ato de terrorismo de Estado de um governo cujos países latino-americanos querem ver de volta na Organização dos Estados Americanos (OEA), ignorando a cláusula democrática aprovada em Santiago do Chile em 2001.
É estranho que o governo Lula lute pela democracia em Honduras ao mesmo tempo em que defende a ditadura cubana.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, Cuba continua sendo uma prisão, como era a extinta Alemanha Oriental.
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Alemanha renasce como líder da Europa unida
Desde que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, depois do bombardeio japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, o presidente Franklin Delano Roosevelt preparava a ordem mundial do pós-guerra. Na Europa, mais uma vez, o desafio era impedir a remilitarização da Alemanha.
É melhor uma Alemanha europeia do que uma Europa alemã.
A maneira de evitar novas guerras na Europa era integrar os povos europeus numa comunidade de modo que eles pudessem resolver pacificamente seus conflitos. Em larga medida, a União das Comunidades Europeias conseguiu transcender à guerra.
Os europeus vão à guerra ocasionalmente, como no Golfo, no Kossovo, no Afeganistão e no Iraque, geralmente com os EUA. Mas não há apoio popular para isso, e os orçamentos militares são pequenos.
Na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 1949 para defender a Europa Ocidental e a América do Norte de uma invasão soviética), as decisões são tomadas por consenso mas 90% das armas de ponta são americanas.
A aliança ficou desequilibrada e pesada. É usada hoje pelos EUA muito mais como um instrumento político do que militar, ou como força subsidiária, de apoio. Mas essa é outra história.
O importante aqui é a paz eterna, sonhada pelo filósofo alemão Immanuel Kant em 1795 no ensaio Paz Perpétua e antes dele pelo Abade St.-Pierre, talvez o primeiro a propor a criação de uma organização internacional para proteger a paz mundial. Para nós, brasileiros e latino-americanos, a guerra é uma realidade distante.
Em alguns lugares de Berlim, a destruição foi preservada, como na Anhalter Banhof, uma estação de trem onde só sobrou a fachada.
COMUNIDADE EUROPEIA
A integração européia nasce com o Plano Schuman, numa referência ao ministro das Relações Exteriores da França na época, Robert Schuman. Foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da guerra, com o objetivo central de acabar com o conflito franco-alemão. O projeto era de seu assessor Jean Monnet. Eles são considerados os pais da UE, que é o modelo de integração para o Mercosul e a Unasul.
É o marco do início da cooperação entre a França e a Alemanha. O primeiro resultado prático é a criação, em 18 de abril de 1951, da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Controlando a produção de carvão e aço, seria possível evitar uma nova corrida armamentista no continente.
A Alemanha se reconstroi com a ajuda do Plano Marshall e volta a ser uma economia importante. Há um filme do Rainer Werner Fassbinder, O Casamento de Maria Braun, que apresenta a recuperação como uma prostituição do país ao capitalismo americano, uma alegoria da Alemanha dos anos 50. A vitória na Copa de 54 é apresentada ironicamente como um marco do renascimento, do milagre econômico alemão, que segue pelos anos 60 e vai até a crise do petróleo de 1973.
Ao mesmo tempo, os EUA saíam da guerra como superpotência econômica do mundo capitalista, com quase metade da produção industrial e da riqueza.
A nova ordem econômica mundial proposta por Roosevelt na Conferência de Bretton Woods, que criou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), depois Banco Mundial, visava primeiramente evitar a volta da Grande Depressão nos EUA.
Para isso, seria necessário um comércio internacional aberto. Os EUA boicotavam assim todas as tentativas de integração regional porque elas sempre implicariam o surgimento de barreiras aos produtos americanos - e hegemonia é isso, impor sua vontade.
No caso da Europa, era diferente. O Exército Vermelho tinha se mostrado o melhor do mundo. Mais de 80% das tropas alemãs foram derrotadas na frente russa, e a União Soviética ocupou os países que libertou do nazismo na Europa Oriental. Na Guerra Fria, o Ocidente temia que o Exército Vermelho tomasse o resto da Europa.
As diferentes doutrinas de geopolítica sempre discutiram se o mais importante era ter o domínio dos mares ou de grandes massas continentais. Os EUA, com dois oceanos e sem inimigos na vizinhança, são uma potência aeronaval.
Uma tese é que quem domina a Ilha do Mundo (Eurásia e África) domina o mundo. A URSS só precisaria tomar a Europa Ocidental.
Os EUA precisavam de uma Europa capitalista unida e próspera para encarar o desafio comunista. A Europa – e sobretudo a Alemanha – era a primeira fronteira da Guerra Fria. Ali ia começar a guerra para acabar com o mundo.
A Comunidade Econômica Europeia nasce em 1957, quando seis países assinaram o Tratado de Roma: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Nos anos 70, entrariam Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. Nos anos 80, Grécia, Espanha e Portugal. Nos anos 90, Áustria, Finlândia e Suécia.
Em 1991, o Tratado de Maastricht, que demorou algum tempo a ser ratificado porque chegou a ser rejeitado na Dinamarca por causa da moeda única, cria a União das Comunidades Europeias, a União Europeia, com a proposta de união econômica, monetária e política.
A queda do Muro de Berlim trouxe novos candidatos, ampliou a UE e retardou o aprofundamento da integração. Entraram muitos países pobres, com níveis de desenvolvimento muito abaixo da média comunitária.
Em 2004, entraram Hungria, Polônia, República Tcheca, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre, Malta, Eslováquia e Eslovênia. Acabava a divisão da Europa feita por Roosevelt, Stalin e Churchill na Conferência da Yalta.
Ainda entraram, em 2007, a Bulgária e a Romênia. Estão na fila a Croácia, a Sérvia (que depende da prisão de Ratko Mladic, general sérvio-bósnio) e a Turquia, que negocia há pelo menos 15 anos.
O euro surge como moeda contábil em 1999 e passa a circular em 2002 como moeda ancorado na rígida disciplina do Bundesbank, o banco central alemão, ainda traumatizado pela hiperinflação de 1923.
A chanceler (primeira-ministra, o cargo de chefe de governo na Alemanha chama-se Kanzler, Bundeskanzler, Chanceler Federal) Angela Merkel se apavora com o envididamento público dos EUA e do Reino Unido para combater a crise. Considera irresponsáveis, assim como a própria cultura dos centros financeiros de Nova York e Londres, onde começou a crise, na visão da Alemanha e da França.
Esses países são aliados do Brasil no G-20, na tentativa de regulamentar o sistema financeiro internacional. O presidente francês, Nicolas Sarkozy insiste em impor limites ao pagamento de bônus para que remunerem o sucesso a longo prazo e quer punir quem causar prejuízo. Nos centros financeiros, será difícil acabar com a cultura dos bônus, vistos como parte inalienável da remuneração dos grandes executivos do setor.
A França e a Alemanha são o eixo central ao redor do qual foi construída a integração. Mas a queda do Muro de Berlim, ao criar uma Alemanha maior, mais populosa e mais poderosa, criou uma assimetria de poder e de interesses que abala esse eixo.
Reunificada, a Alemanha partiu para conquistar o Leste Europeu. Investiu pesadamente na Polônia, na República Tcheca, na Hungria e na Rússia. Os alemães são os maiores investidores estrangeiros na Rússia.
Em todos os países do Leste, invadidos pelos nazistas e ocupados por Stalin, há ressentimento contra a Alemanha e contra a Rússia. Eles viveram espremidos por dois gigantes cruéis. Não é à toa que são aliados fiéis dos EUA.
É melhor uma Alemanha europeia do que uma Europa alemã.
A maneira de evitar novas guerras na Europa era integrar os povos europeus numa comunidade de modo que eles pudessem resolver pacificamente seus conflitos. Em larga medida, a União das Comunidades Europeias conseguiu transcender à guerra.
Os europeus vão à guerra ocasionalmente, como no Golfo, no Kossovo, no Afeganistão e no Iraque, geralmente com os EUA. Mas não há apoio popular para isso, e os orçamentos militares são pequenos.
Na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 1949 para defender a Europa Ocidental e a América do Norte de uma invasão soviética), as decisões são tomadas por consenso mas 90% das armas de ponta são americanas.
A aliança ficou desequilibrada e pesada. É usada hoje pelos EUA muito mais como um instrumento político do que militar, ou como força subsidiária, de apoio. Mas essa é outra história.
O importante aqui é a paz eterna, sonhada pelo filósofo alemão Immanuel Kant em 1795 no ensaio Paz Perpétua e antes dele pelo Abade St.-Pierre, talvez o primeiro a propor a criação de uma organização internacional para proteger a paz mundial. Para nós, brasileiros e latino-americanos, a guerra é uma realidade distante.
Em alguns lugares de Berlim, a destruição foi preservada, como na Anhalter Banhof, uma estação de trem onde só sobrou a fachada.
COMUNIDADE EUROPEIA
A integração européia nasce com o Plano Schuman, numa referência ao ministro das Relações Exteriores da França na época, Robert Schuman. Foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da guerra, com o objetivo central de acabar com o conflito franco-alemão. O projeto era de seu assessor Jean Monnet. Eles são considerados os pais da UE, que é o modelo de integração para o Mercosul e a Unasul.
É o marco do início da cooperação entre a França e a Alemanha. O primeiro resultado prático é a criação, em 18 de abril de 1951, da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Controlando a produção de carvão e aço, seria possível evitar uma nova corrida armamentista no continente.
A Alemanha se reconstroi com a ajuda do Plano Marshall e volta a ser uma economia importante. Há um filme do Rainer Werner Fassbinder, O Casamento de Maria Braun, que apresenta a recuperação como uma prostituição do país ao capitalismo americano, uma alegoria da Alemanha dos anos 50. A vitória na Copa de 54 é apresentada ironicamente como um marco do renascimento, do milagre econômico alemão, que segue pelos anos 60 e vai até a crise do petróleo de 1973.
Ao mesmo tempo, os EUA saíam da guerra como superpotência econômica do mundo capitalista, com quase metade da produção industrial e da riqueza.
A nova ordem econômica mundial proposta por Roosevelt na Conferência de Bretton Woods, que criou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), depois Banco Mundial, visava primeiramente evitar a volta da Grande Depressão nos EUA.
Para isso, seria necessário um comércio internacional aberto. Os EUA boicotavam assim todas as tentativas de integração regional porque elas sempre implicariam o surgimento de barreiras aos produtos americanos - e hegemonia é isso, impor sua vontade.
No caso da Europa, era diferente. O Exército Vermelho tinha se mostrado o melhor do mundo. Mais de 80% das tropas alemãs foram derrotadas na frente russa, e a União Soviética ocupou os países que libertou do nazismo na Europa Oriental. Na Guerra Fria, o Ocidente temia que o Exército Vermelho tomasse o resto da Europa.
As diferentes doutrinas de geopolítica sempre discutiram se o mais importante era ter o domínio dos mares ou de grandes massas continentais. Os EUA, com dois oceanos e sem inimigos na vizinhança, são uma potência aeronaval.
Uma tese é que quem domina a Ilha do Mundo (Eurásia e África) domina o mundo. A URSS só precisaria tomar a Europa Ocidental.
Os EUA precisavam de uma Europa capitalista unida e próspera para encarar o desafio comunista. A Europa – e sobretudo a Alemanha – era a primeira fronteira da Guerra Fria. Ali ia começar a guerra para acabar com o mundo.
A Comunidade Econômica Europeia nasce em 1957, quando seis países assinaram o Tratado de Roma: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Nos anos 70, entrariam Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. Nos anos 80, Grécia, Espanha e Portugal. Nos anos 90, Áustria, Finlândia e Suécia.
Em 1991, o Tratado de Maastricht, que demorou algum tempo a ser ratificado porque chegou a ser rejeitado na Dinamarca por causa da moeda única, cria a União das Comunidades Europeias, a União Europeia, com a proposta de união econômica, monetária e política.
A queda do Muro de Berlim trouxe novos candidatos, ampliou a UE e retardou o aprofundamento da integração. Entraram muitos países pobres, com níveis de desenvolvimento muito abaixo da média comunitária.
Em 2004, entraram Hungria, Polônia, República Tcheca, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre, Malta, Eslováquia e Eslovênia. Acabava a divisão da Europa feita por Roosevelt, Stalin e Churchill na Conferência da Yalta.
Ainda entraram, em 2007, a Bulgária e a Romênia. Estão na fila a Croácia, a Sérvia (que depende da prisão de Ratko Mladic, general sérvio-bósnio) e a Turquia, que negocia há pelo menos 15 anos.
O euro surge como moeda contábil em 1999 e passa a circular em 2002 como moeda ancorado na rígida disciplina do Bundesbank, o banco central alemão, ainda traumatizado pela hiperinflação de 1923.
A chanceler (primeira-ministra, o cargo de chefe de governo na Alemanha chama-se Kanzler, Bundeskanzler, Chanceler Federal) Angela Merkel se apavora com o envididamento público dos EUA e do Reino Unido para combater a crise. Considera irresponsáveis, assim como a própria cultura dos centros financeiros de Nova York e Londres, onde começou a crise, na visão da Alemanha e da França.
Esses países são aliados do Brasil no G-20, na tentativa de regulamentar o sistema financeiro internacional. O presidente francês, Nicolas Sarkozy insiste em impor limites ao pagamento de bônus para que remunerem o sucesso a longo prazo e quer punir quem causar prejuízo. Nos centros financeiros, será difícil acabar com a cultura dos bônus, vistos como parte inalienável da remuneração dos grandes executivos do setor.
A França e a Alemanha são o eixo central ao redor do qual foi construída a integração. Mas a queda do Muro de Berlim, ao criar uma Alemanha maior, mais populosa e mais poderosa, criou uma assimetria de poder e de interesses que abala esse eixo.
Reunificada, a Alemanha partiu para conquistar o Leste Europeu. Investiu pesadamente na Polônia, na República Tcheca, na Hungria e na Rússia. Os alemães são os maiores investidores estrangeiros na Rússia.
Em todos os países do Leste, invadidos pelos nazistas e ocupados por Stalin, há ressentimento contra a Alemanha e contra a Rússia. Eles viveram espremidos por dois gigantes cruéis. Não é à toa que são aliados fiéis dos EUA.
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