sábado, 21 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Março

 NASCIMENTO DE BACH

    Em 1685, Johann Sebastian Bach, um dos maiores compositores de todos os tempos, nasce em Eisenach, na Turíngia, hoje um estado da Alemanha, na época parte do Sacro Império Romano-Germânico, numa família com longa tradição musical e se torna um músico completo e o maior virtuoso de sua geração.
Bach era cravista, organista, violinista, violonista, professor, mestre de capela e fabricante de órgãos. Há quem considere o gênio da música barroca o maior compositor da história. 

O Catálogo das Obras de Bach tem cerca de 1.100 músicas autênticas. Entre suas obras mais importantes, estão o Cravo Bem Temperado, a Missa em Si MenorA Arte da FugaJesus Alegria dos Homens, a Paixão segundo São Mateus e os Concertos de Brandemburgo.


MASSACRE DE SHARPEVILLE 

Em 1960, a polícia do regime segregacionista do apartheid abre fogo de submetralhadoras contra uma manifestação pacífica da maioria negra contra restrições ao direito de viajar dentro do país, mata 69 pessoas e deixa outras 180 feridas, na favela de Sharpeville, perto de Joanesburgo, a maior e mais rica cidade da África do Sul.

O Massacre de Sharpeville deflagra uma onda de protestos. Mais de 10 mil pessoas são presas pela ditadura da minoria branca para restaurar a ordem. Diante da matança, o Congresso Nacional Africano (CNA) abandona a luta pacífica e adere à luta armada contra o apartheid

Nelson Mandela, que era influenciado pelas ideias pacifistas de Henry David Thoreau, Leon Tolstoy e Mohandas Gandhi, comanda a Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), criada em 1961 para ser o braço armado do CNA. 

Por isso, Mandela é preso em 1962 e condenado em 1964 à pena de morte por traição, sentença comutada para prisão perpétua. Sai da prisão 27 anos depois, em 1990, para negociar o fim do apartheid e a democratização da África do Sul. Em 1994, torna-se o primeiro presidente eleito democraticamente da história do país. 

A data é o Dia da Igualdade Racial.

BOICOTE OLÍMPICO

    Em 1980, o presidente Jimmy Carter anuncia que os Estados Unidos não vão participar da Olimpíada de Moscou em protesto contra a invasão da União Soviética no Afeganistão, em dezembro de 1979. Cerca de 60 países aderem ao boicote dos EUA. Na abertura dos Jogos, o urso Micha, mascote olímpico, chora.


Os anos 1970 são um momento de degelo parcial na Guerra Fria. Com as viagens do presidente dos EUA, Richard Nixon, à China e à União Soviética em 1972, começa o período da détente. A invasão do Afeganistão é o fim desta era.

Ao todo, 5 mil atletas de 81 países participam da Olimpíada de 1980. Em retaliação, a URSS boicotou a Olimpíada de 1984 em Los Angeles.

Além do boicote à Olimpíada, Carter suspende a ratificação pelo Congresso do Segundo Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT 2), proíbe as exportações de grãos e de alta tecnologia para a URSS. Mas a grande resposta acontece no governo Ronald Reagan (1981-89), quando os EUA, a Arábia Saudita, o Paquistão e a China se unem para apoiar uma guerrilha de extremistas muçulmanos para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

INDEPENDÊNCIA DA NAMÍBIA

    Em 1990, depois de 106 anos de colonização pela Alemanha e ocupação pela África do Sul, a Namíbia conquista a independência.

O navegador português Diogo Cão vai à costa da Namíbia em 1486 e 1488, mas os contatos com europeus são poucos até 1670, quando africâneres da África do Sul exploram o território. Por volta de 1790 comerciantes e colonos vão à região, mas não exercem uma influência importante até os anos 1860, quando são abertas rotas para o comércio de marfim e depois de gado.

Nos anos 1880, a Conferência de Berlim (1884-85) faz a partilha da África entre as potências imperiais da Europa e a Alemanha coloniza a África do Sudoeste e enfrenta resistência dos hererós.

Entre 1904 e 1907, durante uma revolta contra o domínio colonial, os alemães matam de 24 a 65 mil hererós, 50% a 70% da população da tribo, e 10 mil namaquas, 50% desta tribo, no que é considerado o primeiro genocídio do século 20.

Em 1914-15, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a União Sul-Africana, parte do Império Britânico, invade e toma a África do Sudoeste. Depois da guerra, a Liga das Nações dá um mandato à União Sul-Africana para administrar a África do Sudoeste sem necessidade de preparar a independência do país.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a economia cresce rapidamente com exploração de diamantes e criação de gado. No fim dos anos 1970, a renda per capita sobe para US$ 1 mil por ano (US$ 20 mil para os brancos e US$ 150 para os negros).

Desde 1947, a Namíbia pede às Nações Unidas o fim da ocupação sul-africana. As igrejas apoiam a petição e começam a preparar a sociedade civil para a independência. 

A Organização do Povo do Sudoeste da África (SWAPO) nasce em 1958 como o grande partido da maioria negra e adota a luta armada. Seus líderes são processados por terrorismo e encarcerados em 1968 na prisão da ilha de Robben, onde também estão Nelson Mandela e outros líderes do Congresso Nacional Africano (CNA), que luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul.

A partir de 1969, a SWAPO atua em toda a fronteira norte. Suas operações são facilitadas pela independência de Angola, em 1975. 

Em 1971, a Corte Internacional de Justiça da ONU considera que o mandato sul-africano acabou e reconhece o direito à independência.

Com uma crise econômica, seis anos de seca, queda na produção de pescado por causa do excesso de captura, o impacto da guerra e a má administração, a Namíbia passa a ser um peso para a África do Sul.

O Conselho de Segurança da ONU aprova resoluções que exigem a independência da Namíbia, mas a África do Sul reluta. Durante a Guerra Fria, usa como desculpa uma intervenção militar de Cuba em Angola para repelir uma invasão sul-africana.

Em 1988, a invasão sul-africana a Angola é derrotada. A África do Sul se retira de Angola em junho daquele ano. Em dezembro, começa a negociar uma transição para a realização de eleições e a independência da Namíbia sob a supervisão da ONU.

A SWAPO vence as eleições de 1989 com 57% dos votos e conquista 60% das cadeiras no parlamento. Seu líder, Sam Nujoma, é o primeiro presidente da Namíbia independente.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Ataques à produção de petróleo e gás escalam guerra no Oriente Médio

Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.

É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.

Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.

Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.

Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana depois.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos no processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois numa disputa interna de poder no partido.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de derrubar a milícia dos Talebã e não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, em dezembro de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantela o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais são encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

 CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

DYLAN LANÇA PRIMEIRO ÁLBUM

    Em 1962, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que foi do folk ao rock e é considerado o maior poeta da história do rock, lança seu primeiro álbum, Bob Dylan. Ele ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

Robert Allen Zimmerman nasce em Dulluth, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de maio de 1941, numa família judaica. Ele cresce na cidade mineira de Hibbing, no mesmo estado. 

Sob influência da música de Woodie Guthrie, Hank Williams, Little Richard, Elvis Presley e Johnny Ray, Bob compra seu primeiro violão aos 14 anos, em 1955. Antes de entrar para a Universidade de Minnesota em Mineápolis, em 1959, ele toca piano na banda do pop star Bobby Vee.

Quando está na faculdade, descobre o bairro boêmio de Mineápolis, Dinkytown. Fã da poesia beat e de Woodie Guthrie, toca música folclórica  e adota o nome de Dylan em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas.

Para encontrar Guthrie, que está hospitalizado em Nova Jérsei, Dylan se muda para Nova York em janeiro de 1961 e começa a tocar na noite no Greenwich Village, o bairro beat the Manhattan. Logo arregimenta um grupo de fãs e é contratado para tocar harmônica numa gravação de Harry Belafonte.

Uma crítica laudatória de Robert Shelton no jornal The New York Times de um show em setembro de 1961 rende um contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum é recebido com críticas positivas e negativas, como o lamento de um caubói do Meio-Oeste com voz rouca.

O segundo álbum, Freewhelin' Bob Dylan, lançado em maio de 1963, o coloca como uma voz da contracultura, um rebelde com causa. Seu primeiro sucesso, Blowin' in the Wind, lhe dá o status de grande artista.

Em 1963, Dylan faz seu primeiro concerto em Nova York. Em maio, quando é proibido de tocar Talkin' John Birch Paranoid Blues no programa de televisão Ed Sullivan Show, onde os Beatles haviam aparecido pela primeira vez em rede nacional de televisão nos EUA, ele rejeita a censura e se retira, mas perde uma grande oportunidade.

No verão daquele ano, por indicação da cantora Joan Baez, que namora de 1961 a 1965, Dylan se apresenta no Newport Folk Festival e é coroado rei da música folclórica dos EUA. 

Em 28 de agosto de 1963, Dylan e Joan Baez cantam na Marcha sobre Washington, em que o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho. Seu próximo álbum, The Times They Are A-Changin', de 1964, consolida sua fama de cantor rebelde de músicas de protesto. Em Another Side of Bob Dylan, ele começa a desafiar esse rótulo.

A grande mudança vem em Bringing It All Back Home (1965) quando Dylan introduz instrumentos elétricos para desesperdo dos puristas do folk. A banda de folk rock The Byrds chega ao topo das paradas de sucessos com uma versão de Mr. Tambourine Man com uma guitarra de 12 cordas.

Em junho de 1965, Dylan grava seu maior sucesso, Like a Rolling Stone, e se consolida como um dos maiores músicos e poetas da história do rock.

ARGENTINA SE MOBILIZA PARA TOMAR MALVINAS

    Em 1982, depois de um conflito entre trabalhadores argentinos e cientistas britânicos na Ilha Geórgia do Sul, a Argentina mobiliza as Forças Armadas para invadir as Ilhas Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.

Durante a última ditadura militar (1976-83), em 2 de abril de 1982, a Argentina invade as Ilhas Malvinas. O ditador Leopoldo Galtieri supõe que o Reino Unido não vai lutar por "umas ilhotas". Mas a primeira-ministra Margaret Thatcher não aceita o que seria uma humilhação para uma grande potência e envia uma força-tarefa que retoma as ilhas.

A Argentina se rende em 14 de junho depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos. O tenente de navio Alfredo Astiz, torturador assassino acusado pela morte de duas freiras franceses e de Dagmar Hagelin, uma menina sueco-argentina de 17 anos morta com um tiro pelas costas, é o governador militar da Geórgia do Sul. Rende-se sem disparar um tiro. É preso pelos britânicos. Thatcher o entrega à Argentina, apesar dos pedidos de extradição da França e da Suécia.

Desmoralizada, a ditadura militar argentina cai em 1983.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Março

 COMUNA DE PARIS

    Em 1871, depois da derrota da França na Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e do colapso do Segundo Império, estoura a Comuna de Paris, a primeira insurreição que cria um governo popular proletário, expressão do crescimento das ideias socialistas entre o operariado europeu.

A Assembleia Popular eleita em fevereiro de 1871 para concluir um acordo de paz com a Alemanha recém-unificada tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. 

Para garantir a ordem na capital francesa, o chefe do governo provisório, Adolphe Thiers, decide desarmar a Guarda Nacional, formada principalmente por trabalhadores que lutaram durante o cerco de Paris. Em 18 de março, essa força se revolta quando tentam tomar os canhões.

Em 26 de março, eleições organizadas pelo comitê central da guarda resulta na vitória dos revolucionários, que formam o governo da Comuna. Entre eles, estão os chamados jacobinos, que seguem as ideias radicais da segunda fase da Revolução Francesa de 1789 e querem que a Comuna controle a revolução; os proudhonistas, socialistas a favor de formar uma federação de comunas por toda a França; e os blanquistas, que defendem uma ação violenta.

O programa da Comuna defende algumas medidas de 1793 como o fim do apoio à Igreja e a adoção do calendário revolucionário, e medidas sociais como jornada de trabalho de no máximo 10 horas por dia e o fim do trabalho noturno dos padeiros.

Com a rápida derrota das comunas que surgem em Lyon, Saint-Étienne, Marselha e Toulouse, a Comuna de Paris fica sozinha na luta contra o governo instalado em Versalhes. Os fédérés, como são chamados os insurgentes, não conseguem se organizar militarmente e partir para a ofensiva. Em 21 de maio, tropas governamentais entram numa zona não defendida de Paris.

Durante a Semana Sangrenta, as forças do governo esmagam a Comuna de Paris. Os rebeldes de defendem armando barricadas com paralelepípedos e tocando fogo em prédios públicos como o Palácio das Tulherias e a Prefeitura. Cerca de 20 mil rebeldes e 750 soldados morrem. Depois do fim da rebelião, em 28 de maio, o governo prende cerca de 38 mil pessoas e deporta mais de 7 mil.

Na descrição de Karl Marx, o ideólogo do comunismo, em A Guerra Civil na França, “a Comuna era composta de vereadores eleitos por sufrágio universal nos diversos distritos da cidade. Eram responsáveis e substituíveis a qualquer momento. 

"A Comuna deveria ser não um órgão parlamentar, mas uma corporação de trabalho, executiva e legislativa ao mesmo tempo. Em vez de continuar sendo um instrumento do governo central, a polícia foi imediatamente despojada de suas atribuições políticas e convertida num instrumento da Comuna, responsável diante dela e demissível a qualquer momento. O mesmo foi feito em relação aos funcionários dos demais ramos da administração. Todos que desempenhavam cargos públicos deviam receber salários de operários. 

"Como é lógico, a Comuna de Paris seria o modelo para todos os grandes centros industriais da França. Uma vez estabelecido em Paris e nos centros secundários o regime comunal, o antigo governo centralizado teria que ceder lugar também nas províncias ao autogoverno dos produtores. 

"No breve esboço de organização nacional que a Comuna não teve tempo de desenvolver, a Comuna deveria ser a forma política inclusive das menores aldeias do país e, nos distritos rurais, o exército permanente devia ser substituído por uma milícia popular com um tempo de serviço extraordinariamente curto. As comunas rurais de cada distrito administrariam seus assuntos coletivos por meio de uma assembleia de delegados na capital do distrito correspondente a essas assembleias, por sua vez, enviariam deputados à delegação nacional em Paris.”

Para Friedrich Engels, o outro autor do Manifesto Comunista, “só os operários de Paris tinham a intenção bem definida, ao derrubar o governo, de derrubar o regime da burguesia”, ainda que “nem o progresso econômico do país nem o desenvolvimento intelectual das massas operárias francesas, contudo, tinham atingido ainda o grau que teria tornado possível uma reconstrução social”.

PRIMEIRAS GRAVAÇÕES DE VOZ

    Em 1902, o tenor italiano Enrico Caruso, um dos primeiros músicos a gravar sua voz, faz sua primeira gravação fonográfica.

Caruso, o mais admirado tenor italiano do início do século 20, nasce em Nápoles, na Itália, em 25 de fevereiro de 1873 numa família pobre. Ele canta músicas folclóricas napolitanas nas ruas e entra para o coral da igreja aos 9 anos, mas só começa a receber educação musical formal aos 18 anos com o professor Guglielmo Vergine.

Ele estreia como cantor de ópera em 1894 na peça L'amico Francesco, de Mario Morelli, no Teatro Novo, em Nápoles. Quatro anos depois, ele interpreta o personagem Loris na avant-première de Fedora, de Umberto Giordano, em Milão.

Seu sucesso o leva a se apresentar em Moscou, São Petersburgo e Buenos Aires. Caruso estreia em 1900 no famoso Teatro Scala, de Milão, com La Bohème. Em 1902, ele canta La Bohème em Mônaco e Rigoletto em Covent Garden, em Londres.

Em 23 de novembro de 1903, Caruso faz sua primeira apresentação nos Estados Unidos, cantando La Bohème na Ópera Metropolitana de Nova York. Nos próximos 17 anos, ele participa da abertura da temporada de ópera em Nova York interpretando 36 papéis.

Caruso faz sua última performance em público como Eléazar em La Juive na 607ª apresentação na Ópera Metropolitana de Nova York, em 24 de dezembro de 1920. Ele morre em 2 de agosto de 1921 em Nápoles aos 48 anos.

PRIMEIRO PASSEIO NO ESPAÇO

    Em 1965, o cosmonauta soviético Alexei Leonov sai da nave espacial Voskhod 2 e se torna o primeiro homem a passear no espaço.

Leonov nasce em 30 de maio de 1934 em Listvyanka, na Rússia, então parte da União Soviética. Depois de cursar os ensinos fundamental e médio em Kaliningrado, ele entra para a Força Aérea em 1953. Quatro anos depois, conclui seu treinamento. Serve como piloto de 1957 a 1959, quando é selecionado para se tornar um cosmonauta.

A Voskhod 2 é lançada ao espaço em 18 de março com Leonov e Pavel Balvaiev a bordo. Na segunda volta em órbita da Terra, a 117 quilômetros da superfície da Crimeia, Leonov sai da nave preso por um cabo, faz observações, filma e faz algumas manobras por 10 minutos e volta quando a Voskhod 2 sobrevoa a Sibéria. A nave volta depois de dar 17 voltas na Terra em 26 horas.

Dez anos depois, ele comanda a Soyuz 19, que faz com uma nave Apollo o primeiro acoplamento espacial de espaçonaves dos Estados Unidos e da URSS, em 17 de julho de 1975.

Alexei Leonov se aposenta como cosmonauta em 1982 e trabalha até 1991 no Centro de Trenamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, perto de Moscou. Em 2004, lança com o astronauta norte-americano David Scott o livro Duas Faces da Lua: nossa história da corrida espacial na Guerra Fria. Ele morre em 11 de outubro de 2019 em Moscou aos 85 anos.  

EUA BOMBARDEIAM CAMBOJA

    Em 1969, durante a Guerra do Vietnã (1955-75), aviões bombardeiros dos Estados Unidos deixam de lado seus alvos no Vietnã para atacar bases dos guerrilheiros comunistas do Viet Cong e a chamada Trilha de Ho Chi Minh, no Camboja, usada pelos rebeldes para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul através do país vizinho, que estava fora da guerra.

Ao todo, 3.360 missões aéreas jogam 110 mil toneladas de bombas no Camboja durante um ano e dois meses, até 26 de maio de 1970. A Operação Menu é realizada em segredo. Nem o Congresso nem a opinião pública norte-americana é informada porque o Camboja é um país neutro.

GOLPE NO CAMBOJA

    Em 1970, o general e primeiro-ministro Lon Nol dá um golpe militar no Camboja, derruba o Príncipe Vermelho, Norodom Sihanouk, e instaura uma ditadura com o apoio dos EUA.

A guerra, os bombardeios e a ditadura apoiada por Washington alimentam o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, em atividade desde 1968, que toma o poder em 16 de abril de 1975, duas semanas antes da queda de Saigon, no fim da Guerra do Vietnã.

O Khmer Vermelho, apoiado pela China e inspirado pelo maoísmo e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), instaura um dos regimes comunistas mais cruéis e brutais, talvez o pior de todos, um reino do terror que mata 1,5 a 2 milhões de pessoas até ser derrubado por uma invasão do Vietnã em 7 de janeiro de 1979.

terça-feira, 17 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Março

DIA DE SÃO PATRÍCIO

    Em 461, o bispo, missionário e apóstolo da Irlanda canonizado como São Patrício morre em Saul, no condado de Downpatrick, na Irlanda. É o Dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda, muito festejado nos Estados Unidos, onde há uma grande população de origem irlandesa. 

Patrício nasce na Grã-Bretanha sob domínio do Império Romano, provavelmente na Escócia, entre 373 e 390 em uma família cristã com bom nível de vida e cidadania romana. Aos 16 anos, é capturado e escravizado por ladrões. Durante seis anos, é forçado a trabalhar como pastor na Irlanda e busca a paz interior na religião.

Depois de um conselho recebido durante um sonho, foge e consegue embarcar num navio para a Grã-Bretanha, onde reencontra a família. Em mais um sonho, um homem lhe entrega uma carta, A Voz dos Irlandeses, um apelo para voltar à Irlanda.

Ele estuda no seminário para ser padre e é ordenado bispo. Chega à Irlanda em 433 em missão evangelizadora. Patrício prega o evangelho, converte milhares de irlandeses e constrói igrejas por todo o país. Morre em Saul, onde erguera sua primeira igreja, em 17 de março de 461.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1861, depois da mais de 10 anos de revolução liderada por Giuseppe Garibaldi, que antes luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um parlamento reunido em Turim proclama a independência do Reino da Itália. Vítor Emanuel II, da Sardenha, é proclamado rei da Itália.

O reino tem 26 milhões de habitantes, 78% analfabetos; 70% da população trabalham na agricultura. Nápoles é a maior cidade, com 447 mil habitantes. Turim tem 205 mil.

O Reino da Itália é resultado da unificação de vários estados ao longo de décadas sob a liderança do Reino da Sardenha e da Dinastia de Saboia. Em 1866, a Itália vence a Áustria-Hungria em aliança com a Prússia e conquista o Vêneto. Em 1870, as tropas italianas entram em Roma, acabando com mais de mil anos de poder temporal dos papas.

Em 1882, a Itália entra para a Tríplice Aliança com a Alemanha e a Áustria-Hungria na esperança de obter o controle sobre as regiões de Trentino e Trieste. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Itália não entra ao lado das potências centrais alegando que a Tríplice Aliança é meramente defensiva.

Com a promessa de maiores recompensas territoriais às custas do Império Austro-Húngaro, a Itália aceita o convite do Reino Unido para entrar no conflito ao lado da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). Com a vitória dos aliados ocidentais, ganha uma vaga no Conselho da Liga das Nações.

A ascensão ao poder do primeiro-ministro Benito Mussolini, em 1922, cria a Itália Fascista, uma ditadura que se alia à Alemanha Nazista de Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-45). Com a derrota na guerra, acaba o reino e nasce a República da Itália.

NASCE NAT KING COLE

    Em 1919, nasce em Montgomery, no estado do Alabama, no Sul dos Estados Unidos, o cantor e pianista Nat King Cole, um dos músicos mais prestigiados e influentes de sua época.

Cole é criado em Chicago. Aos 12 anos, canta e toca órgão na igreja onde seu pai é pastor. Cinco anos depois, aos 17 anos, foram seu primeiro grupo de jazz, os Royal Dukes. Em 1937, depois de fazer uma turnê nos EUA, começa a trabalhar como pianista em clubes de jazz de Los Angeles. 

Lá, ele forma o King Cole Trio, originalmente com o guitarrista Oscar Moore, depois substituído por Irving Ashby, e o baixista Wesley Prince, mais tarde substituído por Johnny Miller. O grupo só começa a fazer grande sucesso quando Cole começa a cantar. 

O primeiro disco de sucesso é Straighten Up and Fly Right (1943). Depois, vem Sweet LorraineIt's Only a Paper Moon e For Sentimental Reasons. A primeira vez que Nat King Cole grava com uma orquestra é em 1946, no disco The Christmas Song.

Nos anos 1950, Cole praticamente só trabalha como cantor, com excelentes arranjadores como Nelson Riddle e Billy May. Nature BoyMona LisaToo YoungA Blossom Fell Unforgetable são sucessos desta época.

No álbum After Midnight (1956), Cole resgata suas raízes jazzísticas e mostra que seu talento de pianista não mudou.

Sua popularidade é tanta que ele se transforma no primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de variedades numa grande rede de televisão, The Nat King Cole Show, que estreia na NBC em 1956. Dura só uma temporada. Poucos patrocinadores querem ser associados a um artista negro.

Cole faz excursões de grande sucesso no fim dos anos 1950 e início dos anos 1960. Os sucessos dos anos 1960, Ramblin' Rose, The Lazy, Hazy, Crazy Days of Summer L-O-V-E, uma mudança de suas raízes no jazz para um pop romântico. Essas adaptações do seu estilo o ajudam a manter ajudam a manter a popularidade até a morte prematura por câncer de pulmão em 15 de fevereiro de 1965 em Santa Mônica, na Califórnia, aos 48 anos.

BRANCOS CONTRA O APARTHEID

    Em 1992, 69% dos eleitores brancos aprovam as reformas do presidente Frederik de Klerk na África do Sul, que incluem a revogação das leis de segregação racial e o desmantelamento do regime do apartheid.

Depois de três séculos de opressão da maioria negra pela minoria branca de origem europeia, sob pressão de um boicote econômico internacional, De Klerk decide transformar o país. Ao assumir a Presidência, em 20 de setembro de 1989, revela a intenção de transferir o poder à maioria negra.

Em 11 de fevereiro de 1990, o governo liberta Nelson Mandela, o líder do Congresso Nacional Africano (CNA), para negociar o fim do apartheid e a transição para a democracia. Em 1994, a CNA vence as primeiras eleições democráticas e Mandela se torna o primeiro negro a presidir a África do Sul. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Março

 WEST POINT

    Em 1802, o Congresso funda a Academia Militar dos Estados Unidos, em West Point, no estado de Nova York, local de um forte construído durante a Guerra da Independência (1775-83), para treinar e educar jovens na teoria e prática das ciências militares.

Com a Guerra de 1812 contra o Império Britânico, que tenta recolonizar os EUA, o Congresso decide ampliar a Academia Militar de West Point. Logo, vira o principal curso superior para formação de engenheiros no país.

Em 1877, o primeiro negro se forma em West Point. Desde 1976, a academia militar recebe mulheres. Tem hoje mais de 4 mil alunos.

VITÓRIA EM IWO JIMA

    Em 1945, os Estados Unidos vencem uma das batalhas mais ferozes da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e tomam a ilha de Iwo Jima, no Japão, no fim de quase um mês de luta.

A invasão é precedida por 74 dias de bombardeio aéreo dos EUA às posições de 21 mil soldados japoneses na ilha fortificada em cima e embaixo da terra, com uma rede de túneis.

Os fuzileiros navais norte-americanos desembarcam em 19 de fevereiro e são repelidos pelo fogo de sete batalhões japoneses. Mais de 550 soldados dos EUA morrem no primeiro dia e 1,8 mil saem feridos.

Diante da ferocidade do contra-ataque, os EUA decidem avançar gradualmente. Fixam como objetivo tomar o Monte Suribachi, centro da defesa do Japão. 

Em 23 de fevereiro, os fuzileiros navais cravam a bandeira norte-americana no topo do morro, uma das imagens icônicas da guerra. Um terço da ilha está conquistado.

A Marinha dos EUA estabelece um governo militar na ilha em 16 de março. A batalha vai até 26 de março. Mais de 6 mil soldados norte-americanos e 18 mil japoneses morrem em Iwo Jima. Só 216 japoneses se rendem. Três mil desaparecem ou conseguem escapar.

Dois filmes dirigidos por Clint Eastwood contam a história da batalha. Cartas de Iwo Jima é a visão japonesa, feita com base nas cartas dos soldados do Japão. A Conquista da Honra é a visão norte-americana, a partir do que aconteceu com os seis soldados que cravaram a bandeira dos EUA no Monte Suribachi, uma imagem refeita com outros soldados, já que três morrem em combate pouco depois.

MASSACRE DE MY LAI

    Em 1968, um pelotão do Exército dos Estados Unidos mata pelo menos 347 civis desarmados, talvez 500 homens, mulheres e crianças, no Massacre de My Lai, arrasando a aldeia da costa nordeste do Vietnã do Sul, num dos episódios mais violentos, brutais e cruéis da Guerra do Vietnã (1955-75).

Com informações de que guerrilheiros comunistas do Viet Cong estão escondidos na vila de Quang Ngai, os soldados norte-americanos entram na aldeia de My Lai numa missão de busca e destruição. Em vez de guerrilheiros, encontram apenas mulheres, crianças e velhos desarmados.

Mesmo assim, destroem a aldeia com requintes de crueldade. Estupram, torturam e matam. Jogam dezenas de pessoas, inclusive crianças e bebês, numa vala comum antes de executá-las com metralhadoras.

O massacre só acaba quando Hugh Thompson, um piloto do Exército dos EUA pousa de helicóptero em My Lai e ameaça atirar nos soldados delinquentes.

A história vem à tona em 12 de novembro de 1969, quando o jornalista investigativo Seymour Hersh dá o furo de reportagem: "O Exército diz que ele matou pelo menos 109 civis vietnamitas durante uma operação de busca e destruição em março de 1968 num reduto do Viet Cong conhecido como Pinkville." Depois se sabe que o total de mortes é muito maior.

Ele é o tenente William Calley, chefe do pelotão. Em 1970, durante julgamento numa corte marcial, declara que a ordem do comandante da companhia, capitão Ernest Medina, era remover os moradores da aldeia e, caso se recusassem, "acabar com eles".

O general Colin Powell, futuro comandante em chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA e secretário da Defesa, ajuda a acobertar o Massacre de My Lai.

ANEXAÇÃO DA CRIMEIA

    Em 2014, num plebiscito fraulento realizado sob a ocupação militar da Rússia, a Crimeia vota para se separar da Ucrânia e aderir à Federação, numa manobra do ditador Vladimir Putin não reconhecida internacionalmente.

Historicamente, a Crimeia era parte da Rússia desde o reinado de Catarina II, a Grande (1762-96). Em 1954, para celebrar os 300 anos de aliança entre a Ucrânia e a Rússia, o então ditador da União Soviética, Nikita Kruschev, dá a Crimeia à Ucrânia, na expectativa de que a URSS não se dissolveria.

Assim, quando acaba a URSS, a Crimeia faz parte das fronteiras da Ucrânia independente reconhecidas internacionalmente. Quando o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, cai na Revolução da Praça Maidã, em 21 de fevereiro de 2014, por cancelar em 21 de novembro de 2013 as negociações de associação à União Europeia (UE), a Rússia ocupa a Crimeia.

Como os soldados russos são 82% da antiga Frota do Mar Negro da URSS, compartilhada pelos dois países, a Rússia não precisa nem invadir a Crimeia. Já está lá. Depois, chegam os "homenzinhos verdes", soldados russos sem insígnia nem identificação, para concluir a ocupação.

Com 97% de votos a favor, no dia seguinte ao plebiscito, Putin e o Congresso da Rússia oficializam a anexação da Ucrânia. É o início da guerra que vira um confronto total com a invasão russa em 24 de fevereiro de 2022.